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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

RESENHA: Silêncio

“Imagine que tudo o que já viu, sua vida toda, sempre tivesse sido em tons de cinza. Aí, um dia você pisca os olhos, e, de repente, passa a enxergar o mundo como é, com todas as cores: azul, vermelho, amarelo. Como iria reagir? Como iria lidar com o fato de literalmente não ter palavras para descrever essa experiência nova?” (MEAD, 2016, p. 91).

***

Desde que li a saga Bloodlines, passei a admirar o trabalho de Richelle Mead. Apesar dos clichês e de alguns deslizes na trama, a autora sabe tragar o leitor para dentro da estória fazendo-o esquecer de todo o resto. Esta habilidade da autora, associada a sua criatividade, tornam suas obras o tipo ideal de leitura quando se procura algo mais descontraído e empolgante. E foi nesse estado de espírito que comecei a leitura de Silêncio. 

Fei e sua irmã, Zhang, são aprendizes no Paço do Pavão e dedicam suas vidas a observar a pacata vila onde habitam e a registrar os fatos em pinturas. Isolados do resto do mundo no alto de uma montanha, os habitantes vivem através do escambo, trocando metais preciosos por comida por um sistema de polias. O problema é que, além de terem perdido a audição há centenas anos, os moradores começam a apresentar sinais de perda da visão, o que afeta sua produtividade nas minas e diminui as remessas de comidas. Mas Fei está inquieta, não apenas com o repentino surgimento de sua audição, mas também com a situação no vilarejo que está cada vez mais crítica, restando apenas uma coisa a ser feita: se arriscar na perigosa descida da montanha e ir até a cidade que lhes fornece suprimentos. 

O primeiro aspecto que me desagradou em Silêncio foi a previsibilidade da trama. Em poucos capítulos já fica claro que tipo de situação a autora criou e os gatilhos que serão utilizados para provocar uma mudança na atitude dos personagens. E não deu outra: do início ao fim Silêncio não empolga, visto que não consegue surpreender o leitor em nenhum momento. 

Outro fator que me incomodou foi a falta de um maior desenvolvimento dos personagens. Todos eles me pareceram meros nomes, a quem foram atribuídas funções e que agem de forma programada. Faltou profundidade, faltou vida, faltou cor. Creio que Richelle pode ser o tipo de autora que faz um melhor trabalho no desenvolvimento dos personagens quando escreve uma série, como foi o caso de Bloodlines, em que vemos personagens bem definidos e que possuem vida própria. 

Já mencionei em outras resenhas que Mead sabe como fazer clichês funcionarem, de modo que o leitor não se importava com sua utilização. Entretanto, em Silêncio a autora não conseguiu repetir tal proeza. Os muitos clichês saltam aos olhos, não surtem o efeito desejado e apenas causam a indignação do leitor. 

A parte mais interessante da obra certamente reside no mundo criado pela autora. Partindo de uma forma viver silenciosa — com as inúmeras alterações que a surdez provoca na vida pessoal e da comunidade — e chegando a um mundo de sons, o estranhamento da protagonista é palpável e traz consigo várias reflexões. Mead também fez um interessante trabalho no tocante a cultura e mitologia deste povoado, entretanto, gostaria de ter conhecido melhor alguns aspectos.

Cheguei ao final da leitura com a sensação de que Mead tinha uma estória potencialmente boa em mãos, mas que faltou vontade em desenvolvê-la. A verdade é que Silêncio me pareceu um livro de uma autora iniciante, que não tinha certeza do que estava fazendo, e que acabou se limitando a fazer mais do mesmo. 

Título: Silêncio
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 279
Editora: Galera Record

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

RESENHA: O Círculo Rubi

“— Sydney — Adrian me interrompeu, segurando meu rosto entre as mãos. — Nunca, nunca pense desse jeito. Não me arrependo de nada que enfrentamos juntos. Estar com você é a melhor coisa que poderia ter me acontecido, a única decisão perfeita que tomei nessa minha vida atrapalhada e sem juízo. Faria tudo de novo para ficar ao seu lado. Nunca duvide disso. Nunca duvide do que sinto por você.” (MEAD, 2015, p.  156/157).

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ATENÇÃO: a resenha CONTÉM SPOILERS dos livros anteriores da série Bloodlines. 

Laços de Sangue, primeiro livro da série Bloodlines, foi oferecido pela Editora Seguinte em uma programação especial ao aniversário de Richelle Mead e após ler a prova do livro, achei que valeria a pena apostar. Na pior das hipóteses iria conhecer o texto de uma autora extremamente elogiada pelo público. E, para minha surpresa, me tornei fã da série e da autora. Assim, se comecei a leitura de Bloodlines sem grandes expectativas, cheguei ao último livro esperando um grand finale a altura da saga. 

Jill Dragomir foi sequestrada, colocando em risco o governo de sua irmã, a Rainha Lissa. Enquanto isso, Sydney e Adrian estão presos na Corte Moroi, sem poder fazer nada, visto que os alquimistas não aceitaram o casamento dos dois e estão determinados a persegui-los. Agora, eles precisam não apenas encontrar uma forma de ajudar a amiga, mas também de recuperar a liberdade. 

Minha primeira observação é que O Círculo Rubi me pareceu previsível, o que é, no mínimo, incomum para um livro de Mead. Tinha duas teorias para o sequestro de Jill, e uma delas logo foi descartada, sobrando apenas uma, que se mostrou certeira. O problema é que fazer suspense com algo que não será surpreendente obviamente não funciona. E mais: não fiquei convencido que Sydney, com toda sua inteligência, não teria somado um mais um com mais rapidez.

Por outro lado, também estranhei a abordagem que a autora utilizou para finalizar a saga. Ao invés de abordar os grandes problemas que estavam no ar, ela segue por tramas paralelas, investindo em temas que, embora interessantes e de certa forma até importantes para o desenrolar da estória, não eram o que eu queria saber. Tanto em Sombras Prateadas quanto em O Círculo Rubi, Mead deixa claro sua preferência em explorar fatos ao invés de implicações, embora estas fossem muitos mais interessantes. 

Mas o que realmente me incomodou foi a ausência de respostas definitivas. A meu ver, ficaram cinco grandes perguntas no ar, que receberam respostas em graus variados, mas sem nenhum grau de certeza. Dessas cinco questões, três delas eram fundamentais para a série, então, fiquei um pouco frustrado por não receber respostas mais palpáveis. 

Minha impressão era que a autora talvez estivesse planejando outro spin-off, impressão esta que se confirmou nos agradecimentos do livro, em que Mead deixa no ar a possibilidade de reencontrarmos estes personagens. Por um lado, isto mostra a riqueza do mundo criado por ela, que de fato ainda possui elementos que poderiam ser explorados, mas isso não justifica a ausência de respostas. 

Foi interessante ver a hostilidade não apenas dos alquimistas, mas também dos próprios vampiros quanto ao casamento de Sydney e Adrian. Para muitos destes, uma humana casar com um Moroi era inaceitável, enquanto os alquimistas consideravam tal atitude uma misto de perversão e heresia. Impossível não enxergar o paralelo entre a estória do casal com as lutas das minorias que, além de sofrerem preconceito, não tem sequer o reconhecimento do Estado para tutelar seus direitos civis. 

Apesar da trajetória do livro e da abordagem utilizada pela autora não ter me satisfeito por completo, o ritmo de O Círculo Rubi é intenso, sendo que em alguns momentos sentia que esquecia de respirar. Também é impossível não elogiar a narrativa de Mead, que continua com sua qualidade mais marcante: uma vez que você começa a ler, simplesmente esquece que existe amanhã.

Preciso admitir que esperava mais de O Círculo Rubi, afinal, este é o último livro da série e deveria ser o seu ápice, e claramente não foi. Mas, ao mesmo tempo, foi emocionante ver o findar da saga que acompanhei por quase dois anos e ver o desfecho da estória de personagens que me cativaram, mesmo com os deslizes acima expostos. Então, O Círculo Rubi acabou sendo uma experiência um pouco doce, um pouco amarga, mas, ainda assim, uma boa experiência. 

Título: O Círculo Rubi (exemplar cedido pela editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 343
Editora: Seguinte

sábado, 23 de maio de 2015

RESENHA: Sombras Prateadas

“Meus músculos não pareciam capazes de me sustentar, e meu coração estava apertado por um turbilhão de sentimentos que não conseguia nem começar a descrever. Amor. Alegria. Alívio. Incredulidade. E, misturados a todos eles, havia também as emoções dos últimos meses: desespero, medo, tristeza. Elas se espalharam para além do meu peito e senti lágrimas se formando nos olhos. Não era possível que uma pessoa pudesse fazer você sentir tanta coisa ao mesmo tempo, que uma pessoa pudesse despertar um universo de sentimento só pronunciando seu nome.” (MEAD, 2015, p. 154-5)

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ATENÇÃO: a resenha CONTÉM SPOILERS dos livros anteriores da série Bloodlines. 

Uma das minhas maiores expectativas literárias para esse ano era concluir a saga Bloodlines. Há cerca de dois meses li o quarto volume, Coração Ardente, que com seu final repleto de ação e adrenalina, além de ganchos promissores para a sequência, me deixou extremamente ansioso para Sombras Prateadas. E embora Mead tivesse um prato cheio para o quinto livro, optou por deixar de lado os elementos mais interessantes. 

O romance de Sidney e Adrian foi descoberto e agora ela deverá enfrentar a temível reeducação: um programa destinado a alquimistas que se desviaram dos princípios desta organização. Enquanto isso, Adrian usa seus poderes do espírito para tentar localizar Sidney, mas falha sucessivas vezes. 

Sombras Prateadas tem um início lento, que até é compreensível se considerada a situação em que se encontram os personagens, então, para quem está acostumado com o ritmo acelerado de Mead, esteja preparado para algo mais vagaroso. Minha impressão foi de que as cem primeiras páginas foram a contextualização do livro e só então as coisas começam a acontecer de verdade.

A narrativa continua sendo alternada entre os pontos de vista de Sidney e Adrian, o que não seria um problema por si só. Como disse na resenha de Coração Ardente, creio que a autora conseguiu colocar na narrativa a essência de ambos os personagens. Mas, desta vez, Adrian perdeu praticamente toda a sua personalidade. Claro que a situação é complicada e não dava para esperar que ele continuasse sendo o mesmo de sempre, mas chegou a ser irritante ver tantas lamentações e pouca atitude. 

Mas o que realmente me incomodou é que Sombras Prateadas é um livro que gira ao redor de um evento principal, o qual pouco representa para a evolução da saga. A esta altura, considerando as inúmeros pontas da trama, imaginei que Mead já começaria a dar forma ao final da série, tendo em vista que The Ruby Circle é o último livro de Bloodlines. 

Por outro lado, o final igualmente me desagradou. A solução encontrada para determinado problema não me pareceu a mais propícia, nem a mais eficiente. E mais: tal solução não me pareceu nem remotamente coerente com a personalidade de Sidney. É claro que Mead nunca dá ponto sem nó e a opção que ela tomou é justificável se considerado o desenvolver da estória, mas admito que achei um pouco difícil de engolir. 

Embora Sombras Prateadas não tenha alcançado as expectativas e, a meu ver, seja o livro mais fraco da saga, a autora tem o talento de envolver o leitor na estória de Sidney e Adrian. É engraçado que a maior parte das minhas críticas surgiram quando estava analisando o livro, por que durante a leitura minha única preocupação era saber o que iria acontecer. Apesar das apostas para último livro estarem altas, ainda tenho total confiança de que Richelle Mead está à altura do desafio. 

O lançamento de The Ruby Circle está previsto para julho desse ano. 

Título: Sombras Prateadas - Bloodlines 5 (exemplar cedido pela editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 368
Editora: Seguinte

sábado, 4 de abril de 2015

RESENHA: Coração Ardente

“Eu nunca tinha pensado que poderia amar uma pessoa daquele jeito. Também nunca tinha pensado que teria tanto medo de perder alguém. Será que todos os apaixonados se sentiam assim? Abraçavam a pessoa amada com força e acordavam aterrorizados no meio da noite, com medo de ficar sozinhos? Era uma sensação inevitável quando se amava alguém tão profundamente? Ou éramos só nos dois, que andávamos à beira do precipício, que convivíamos com esse pânico?” (MEAD, 2014, p. 337). 

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ATENÇÃO: a resenha CONTÉM SPOILERS dos livros anteriores da série Bloodlines. 

Já disse milhares de vezes que Richelle Mead é uma autora que surpreende a cada novo livro, mas confesso que foi apenas com O Feitiço Azul, terceiro volume da saga Bloodlines, que fiquei realmente empolgado. Por isso mesmo, Coração Ardente entrou na minha lista de mais desejados do ano, e apesar de ter um tom diferente dos demais livros da série, não decepciona. 

Apesar de sua lógica afiada, Sydney não conseguiu vencer sua própria razão e optou por ficar em Palm Springs, e esconder de todos seu relacionamento com Adrian. Entretanto, tal tarefa está prestes a ficar mais difícil agora que sua irmã, Zoe, também foi escalada para a missão. Enquanto isso, Sydney investiga outras formas de quebrar o encantamento da tatuagem alquimista e Adrian é destacado para auxiliar nas pesquisas que visam impedir a transformação em Strigoi. 

Acho que o ponto que causou mais estranheza em relação aos demais livros da série é que a narrativa de Coração Ardente é dividida entre os pontos de vista de Sydney e de Adrian. Apesar do choque inicial, Mead fez um bom trabalho em caracterizar cada uma das vozes, pois as características essenciais de cada um dos personagens estão impressas na forma como eles narram a estória. O fato do livro contar com capítulos alternados não interrompeu a continuidade da estória, pois os pontos de vista são complementares. 

Agora que temos um casal, um dos pontos altos do livro é justamente ver essa Sydney mais emotiva, apaixonada e até mesmo impulsiva. Por mais que já tenhamos visto a estória do amor proibido — sem falar de alguns outros clichês de acompanhamento —, Mead sabe como explorar esses temas sem deixar o leitor com o gosto de “mais do mesmo”. A verdade é que quando se tem personagens bem construídos e um envolvimento que não acontece do dia para a noite, que tem química e, sobretudo, que faz sentido, clichês são perdoados. 

Fiquei com a impressão de que Coração Ardente se foca mais na resolução de problemas e conflitos já conhecidos nos livros anteriores do que em novos aspectos da trama, o que me pareceu uma decisão acertada, porém, teve como efeito colateral um desenvolver mais lento da estória. Mesmo assim, não deixo de me surpreender com o quanto a narrativa de Mead é fluida, sendo possível ler páginas e mais páginas sem perceber, mesmo que nada de empolgante esteja acontecendo. 

Empolgante mesmo é a reta final, repleta de ação e reviravoltas de tirar o folego, sendo impossível interromper a leitura. O desfecho, embora tenha se mostrado bastante previsível, ainda assim consegue deixar o leitor com o coração na mão. Dessa vez, Mead aposta todas as suas fichas em um gancho principal para a continuação da série e limito-me a dizer que o mesmo é promissor. 

Os personagens coadjuvantes tiveram pouca participação no desenvolvimento da obra, o que me pareceu uma opção inteligente, visto que o espectro da estória a ser explorado em Coração Ardente não demandava a presença deles. Além disso, creio que se Mead tivesse forçado a presença deles e dos dramas que os acompanham, o livro ficaria desnecessariamente pesado. 

Coração Ardente tem um enfoque muito maior no romance da protagonista e seus conflitos pessoais, então é possível que alguns leitores estranhem essa pegada mais intimista, direcionada mais aos sentimentos do que a ação. Embora não tenha se tornado meu livro preferido da série, é impossível negar o quanto Mead aproveita o momento para desenvolver seus personagens a fundo e preparar uma continuação eletrizante. 

Título: Coração Ardente – Bloodlines 4 (exemplar cedido pela editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 413
Editora: Seguinte

sábado, 15 de novembro de 2014

RESENHA: O Feitiço Azul

“Uma coisa que sempre ajudava em questões alquimistas (e de feitiçaria também) era que as pessoas raramente imaginavam motivos sobrenaturais para comportamentos e fenômenos estranhos.” (MEAD, 2014, p. 228)

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Ao terminar a leitura de O Feitiço Azul cheguei a uma conclusão: se existe alguém capaz de surpreender a cada novo livro, este alguém se chama Richelle Mead. 

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS dos livros anteriores. O restante da resenha é SPOILER FREE. 

Após os eventos do livro anterior, a alquimista Sydney Sage começa a questionar cada vez mais os métodos, objetivos e valores de sua organização, que é responsável por manter a existência dos vampiros oculta do resto da humanidade. No meio de seus pensamentos já contraditórios, ainda há sua preocupação com Adrian, vampiro por quem tem fortes sentimentos. Além disso, Sage é aliciada por sua professora para ajudar a rastrear uma poderosa feiticeira que suga a alma de jovens bruxas. 

Mais uma vez, Mead comprova seu talento, prendendo a atenção do leitor desde o início. Mas dessa vez, ela foi além: uma vez que começava a ler, interromper a leitura era uma tarefa hercúlea, tanto é que perdi a hora e me atrasei a inúmeros compromissos, sem falar nas madrugadas em claro. 

Creio que a autora sofre certo preconceito por causa do gênero que escreve, e confesso que eu mesmo tive que vencer um pouco de resistência para começar a ler esta saga. Analisando hoje, me parece que Mead nunca intentou escrever uma obra prima da literatura, mas do ponto de vista de entretenimento, a execução da estória é simplesmente perfeita, e isto é tudo o que um leitor pode desejar. 

Engraçado que mesmo usando um clichê um pouco batido, a estória não deixa a desejar, tampouco transmite a sensação de mais do mesmo. Ainda mais engraçado foi perceber que este clichê em particular, que geralmente não me agradaria, foi tão bem executado que tive de ceder. Mead prova a teoria de que o problema não é usar clichês, mas saber como explorá-los. 

Fiquei com a forte impressão de que O Feitiço Azul é o “turning point” (ou ponto de virada, se você preferir) da saga. A partir deste livro, o leitor passa a ter uma visão mais geral sobre o desenvolvimento da série, pois não se trata apenas de “eventos isolados”, mas de acontecimentos que terão uma forte repercussão nos volumes seguintes. Em outras palavras: me pareceu que a trama se distancia da missão original de Sage, para focar no verdadeiro cerne da estória. 

Mesmo Sidney tendo tudo para ser uma personagem comum e até mesmo insossa, é incrível reparar como ela consegue conquistar o leitor, mesmo com suas manias e comportamento tipicamente nerd. Mais uma vez, sua evolução ao longo da trama ganha destaque, sobretudo por que, ao questionar os princípios que sempre acreditou, questiona, de certa forma, sua própria identidade. 

Como esperado, Mead garante um final cheio de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor prenda a respiração em inúmeras cenas. Os ganchos deixados para as sequências se mostraram mais promissores do que nunca. 

Encerro dizendo que comecei a ler Bloodlines com pouquíssimas expectativas e agora, ao findar a leitura do terceiro livro, a saga certamente está entre as minhas preferidas, sendo que aguardo ansiosamente para ler os próximos volumes. 

Título: O Feitiço Azul – Bloodlines 3 (exemplar cedido pela Editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 399
Editora: Seguinte

sábado, 13 de setembro de 2014

Quem vem para o jantar? # 22

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Há meses planejávamos a festa do nosso aniversario de três anos. As histórias sobre os encontros históricos dos aniversários anteriores já circulavam no universo literário e muitos dos nossos convidados em potencial manifestavam interesse em comparecer. 

Um deles foi George R.R. Martin. Nos sentimos honrados com o interesse do escritor, porém, usando de muita diplomacia, encontramos um jeito de não convidá-lo. Entre nós, decidimos: É melhor deixá-lo em casa trabalhando no sexto livro. Se ele ficar indo em festas desse jeito, já pensou quando vai terminar a série? Além disso, todos sabemos o que Martin gosta de fazer com festas. Ainda assim, lhe mandamos uma mensagem carinhosa (e levemente chantagista):

Quando você terminar o último livro, sediaremos a festa em Westeros e você será o convidado de honra. 

Há algumas semanas, começamos a enviar os convites e foi com estranheza que recebemos inúmeras respostas de recusas. Eram as desculpas mais estapafúrdias vindas de pessoas que tinham tudo para inventar ótimos pretextos (afinal, é de inventar histórias que nossos convidados vivem). J.K. Rowling nos disse que fora informada que uma violenta espécie de gripe draconiana estava assolando a américa, enquanto Isaac Azimov alegou estar fazendo pesquisa de campo para seu próximo livro. E então uma das mensagens nos fez entender o porquê de tantas recusas (não revelaremos aqui o conteúdo para não entregar quem foi o autor), basta dizer que o local que escolhemos para sediar nosso tão aguardado evento estava assustando os nossos convidados (e eles ainda nem haviam chegado aqui!). Ora... e nós que pensamos que o Hotel Overlook seria, além de tudo, prático, já que os convidados poderiam se hospedar para passar a noite depois da festa e seguir para casa no dia seguinte. 

Mas já era tarde demais para mudar e muita gente interessante havia confirmado presença. 

Nossas primeiras convidadas chegaram juntas. Elas que nunca faltaram às nossas festas e nunca nos decepcionaram quando recorremos a elas como leitores: Agatha Christie e Jane Austen. Sabendo já serem “da casa”, ambas se ofereceram a ajudar nos bastidores do evento, mas recusamos a gentileza, pois queríamos que elas aproveitassem essa noite tanto quanto as outras.

E por falar nas outras noites, quem também faltou a nossa comemoração foi Michael Connelly, alegando que havíamos lido poucos livros dele nos últimos tempos. Uma pena, mas compreendemos já que realmente temos negligenciado o autor. Esperamos encontrar você ano que vem, Connelly. Entre nós, comentamos que Agatha e Jane poderiam ter usado o mesmo argumento e nos encheu de orgulho elas deixarem isso de lado e estarem conosco da mesma forma. Ambas sabem que não as esquecemos. É apenas a falta de tempo (não que isso aplaque nosso remorso).

Quem também chegou cedo foi Ernest Hemingway e foi logo pedindo pela localização do bar. Ele também nos disse que logo antes de sair de casa havia conversado com seu amigo de longa data F.Scott Fitzgerald que lhe dissera o quanto lamentava não vir a festa desse ano, pois a do ano passado havia sido “digna de Jay Gatsby”. 

Distraídos pelas poucas, porém precisas, palavras de Hemingway, não percebemos a presença de Guilhermo Del Toro e Chuck Hogan, que não apenas foram os primeiros a responder nosso convite, mas assim que chegaram começaram a explorar o hotel. Pelo que entendemos, os autores da Trilogia da Escuridão estavam empolgados com oportunidade de encontrar as meninas gêmeas que supostamente assombravam o local. Quando deram sua aventura por encerrada e retornaram à festa, narraram a empreitada:

— Estávamos no corredor do terceiro andar quando as luzes começaram a piscar, até apagarem por completo. — disse Del Toro, enquanto Hogan virava uma dose de tequila. — Ouvíamos murmúrios incompreensíveis e o ar parecia ficar mais frio a cada passo. 

Os convidados que ouviam a estória seguraram a respiração involuntariamente, enquanto Hogan continuava:

— De repente, um grito horripilante começou a ecoar. Vocês não ouviram daqui?

Todos menearam a cabeça, negativamente. O autor estava prestes a continuar sua narrativa, mas então Guilhermo não conseguiu mais segurar sua gargalhada:

— Não acredito que vocês caíram nessa. 

Todos pareciam estar se divertindo, mas estávamos preocupados. Nosso convidado de honra estava atrasado, o que era muito estranho sendo ele um suíço. Mas a partir do momento em que ele chegou, foi difícil distribuirmos a nossa atenção igualmente a todos os nossos maravilhosos convidados. Joel Dicker, como já fizera antes durante seu “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert” soube nos envolver com suas palavras de maneira que esquecemos todo o resto. Eventualmente nos afastamos movidos por uma especial curiosidade em ver com quais autores Dicker interagiria já que seu livro mistura tantos gêneros tão habilmente.  

Não foi uma surpresa ver que o jovem autor buscou a companhia de Charles Dickens, dizendo ter adorado a jornada de Pip e que “Grandes Esperanças” era um de seus livros de cabeceira. Joel também confidenciou sua preocupação acerca da adaptação cinematográfica de seu livro, ao que Dickens retrucou:

— Nenhuma adaptação consegue suprir nossas expectativas. Se quer meu conselho, não assista e poupe-se do sofrimento. 

Não pudemos deixar de rir do comentário amargurado do escritor, visto que conferimos a malfadada série da BBC inspirada na obra. 

Deixamos Dicker se aconselhando sobre sua promissora carreira com o grande Dickens e fomos para outro canto do salão, onde encontramos o ancião Pittacus Lore falando com nostalgia sobre o planeta de Lorien para Richelle Mead e Suzanne Collins (que, por sua vez, não sentia falta alguma de Panem e estava muito bonita em um vestido desenhado por Cinna). Enquanto os autores se dedicaram a discutir os rumos da literatura fantástica, tivemos a impressão de ver um lírio discretamente tatuado no pescoço de Richelle. Curiosos e intrigados, tentamos averiguar se aquela seria a tatuagem que imaginávamos, mas a autora, ao perceber nosso interesse, jogou seu cabelo sobre o pescoço e piscou pra nós.

A noite estava querendo virar madrugada quando recebemos uma mensagem de um convidado que fez muita falta, mas não pode comparecer visto que na véspera fora sua própria festa de aniversário. Suas palavras eram inconfundíveis: 

“Lembrem-se de verificar a caldeira e aproveitem a festa. Nos vemos, qualquer dia desses, no escuro. Steve.”

Trocamos um olhar misto de divertimento e preocupação. Não custava nada verificar a caldeira...de novo. 

Agatha e Jane foram as primeiras a ir embora e Dickens fez questão de acompanhar as damas em segurança. Aos poucos, os outros convidados os seguiram, com exceção de Guilhermo e Chuck, que foram os únicos que aceitaram dormir no hotel. Esperamos que tenham sido deles os barulhos estranhos que ouvimos durante a noite.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

RESENHA: O Lírio Dourado

"Quando se passa a maior parte do tempo vivendo entre vampiros e meio-vampiros, transportando-os para que consigam sangue, e ocultando a existência deles do resto do mundo... bem, isso meio que dá uma perspectiva diferente da vida. Já havia presenciado batalhas sangrentas entre vampiros e visto proezas mágicas que desafiavam todas as leis da física que eu conhecia. A minha vida era uma luta constante para reprimir meu medo do inexplicável e tentar, desesperadamente, encontrar uma maneira de explicá-lo." (MEAD, 2013, p. 07/08). 

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Após a leitura de Laços de Sangue, estava curioso para ver como Richelle Mead daria sequência a saga da alquimista Sydney Sage, e mesmo conhecendo o potencial da autora, admito que me surpreendi da primeira a última página. 

ATENÇÃO: a sinopse (parágrafo abaixo) CONTÉM SPOILERS de Laços de Sangue, primeiro volume da série Bloodlines. O restante da resenha é SPOILER FREE.

Sydney permanece em Palm Springs, sendo responsável por manter Jill Dragomir, a princesa Moroi,  a salvo de qualquer perigo a fim de evitar uma guerra civil entre os vampiros e suas nefastas consequências. Além disso, Sydney igualmente dá suporte a uma equipe que busca descobrir uma forma de impedir a transformação em Strigoi, uma raça de vampiros cruéis e imortais.

Para aqueles que acompanham muitas sagas ao mesmo tempo ou que não possuem a melhor das memórias (ou, ainda, os que se encaixam em ambas as hipóteses, como este que vos fala), trago uma boa notícia. Nos primeiros capítulos a autora tem a sensibilidade de relembrar os principais eventos do livro anterior, o que situa o leitor no contexto da série.

A primeira coisa que salta aos olhos em O Lírio Dourado é a narrativa extremamente envolvente, ponto este que sempre destaco nas resenhas das obras da autora. Porém, neste livro Mead conseguiu se superar, me obrigando a ler mais de duzentas páginas no primeiro dia de leitura e admito que apenas a interrompi porque não consegui vencer o sono para ler mais.

Creio que uma das razões que tornou a narrativa de Mead ainda mais viciante foi o ritmo da estória. Ao contrário do primeiro livro da saga, O Lírio Dourado conta com doses muito maiores de ação e reviravoltas, as quais não se concentram apenas no final da obra. Além disso, o desenrolar da trama se dá numa cadência crescente, aumentando a expectativa do leitor a cada capítulo. 

Ainda me espanta a facilidade com que a autora mescla inúmeros elementos distintos. Apesar da obra ser eminentemente de fantasia, Mead consegue temperá-la com aventura, suspense, humor e romance, entretanto, sem forçar tais elementos para dentro da estória. 

Sydney continua sendo uma protagonista ímpar. Sua mente extremamente analítica consegue perceber todos os fatos que se passam ao seu redor, mas ela se mostra ignorante no que diz respeito as interações sociais. O crescimento da personagem também chama atenção, principalmente quando as situações que ela vivencia em virtude de sua missão colocam em xeque valores e princípios dos alquimistas, nos quais ela acreditou por toda sua vida. 

Fica claro que Mead demonstra ter completo domínio sobre a estória. A linha mestra da série está em franco desenvolvimento, mas, paralelamente a isso, também há uma linha mestra para o livro em si. Como sempre podemos esperar da autora, os ganchos deixados para as sequências são dos mais promissores e aumentam ainda mais a expectativa para o próximo volume da série, O Feitiço Azul. 

Minha única crítica se resume a insistência da autora em deixar pistas sobre algo que eu já suspeitava que iria acontecer desde o primeiro volume. Não que tais indicativos não fossem necessários mas, ao errar na dosagem, Mead "estragou" a surpresa.  

Nunca estive tão convencido de que Richelle Mead é o tipo de escritora que sabe o que faz. Muitos criticam as temáticas que a autora aborda ou a alta quantidade de sua produção literária (em 2013, Mead publicou três livros), mas a verdade é que seus personagens são cativantes, seu texto é viciante e sua imaginação não tem limites. E isso é mais do que suficiente para fazer um leitor feliz. 

Título: O Lírio Dourado – Bloodlines 2 (exemplar cedido pela Editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 418
Editora: Seguinte

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

RESENHA: Tabuleiro dos Deuses

“ — [...]. Nós somos peças num tabuleiro, Dr. March, e alguns de nós são mais poderosos que os outros.” (MEAD, 2014, p. 405)

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Meu primeiro contato com Richelle Mead foi com o livro Laços de Sangue, primeiro volume da série Bloodlines, ocasião em que me surpreendi com a criatividade da autora. Em Tabuleiro dos Deuses, a criatividade de Mead se destaca ainda mais.

Justin March é um investigador de seitas religiosas que retorna à República da América do Norte Unida (RANU) após um exílio de quatro anos no Panamá. Sua missão é desvendar uma série de assassinatos ritualísticos que podem ter alguma influência sobrenatural e, para isso, ele contará com o auxílio de Mae, uma integrante da tropa de elite do exército.

É impossível ler Tabuleiro dos Deuses e não se surpreender com a criatividade de sua autora. O primeiro volume da série A Era de X nos leva a um cenário futurístico, repleto de novas tecnologias, e introduz o leitor na cultura de uma sociedade ateísta. A criatividade é tanto que inclui até mesmo uma terminologia própria, o que pode confundir em alguns momentos, mas nada que o glossário não resolva.

Além disso, me admirei com o completo controle que a autora demonstrou exercer sobre a estória. Pequenas referências a fatos ou eventos que pareciam irrelevantes no início voltam a tona em momentos inesperados, denotando quão bem estrutura é a trama criada por Mead.

A evolução do caso investigado por Justin e Mae me pareceu um pouco lenta, todavia, friso que as demais sub-tramas se desenvolvem paralelamente ao caso, de modo que não falta ação em momento algum. Acrescente-se que a narrativa, em terceira pessoa, é extremamente envolvente, o que tornou difícil interromper a leitura em certos pontos.

Os protagonistas foram bem desenvolvidos, visto que em poucos capítulos o leitor já começa a entender a personalidade deles, assim como a origem de suas motivações. Apesar do relacionamento entre Justin e Mae ser previsível e até mesmo soar como um clichê, a química entre eles é inegável.

Apesar do final não tirar o fôlego, a obra surpreende por sua trama coesa e sem pontas soltas, extraindo tudo o que poderia de uma premissa complexa e original.  Embora os elogios sejam mais do que merecidos, umas das explicações finais não me pareceu convincente, mas ainda assim não ofusca o brilho da obra. Por fim, os ganchos preparados para a continuação da série se mostraram promissores.

Tabuleiro dos Deuses é uma mescla deliciosa de ficção-científica e policial, que dá o pontapé inicial a uma série com muito potencial e demonstra a versatilidade de Richelle Mead.O próximo volume da série, The Immortal Crown, tem lançamento previsto para 29 de maio deste ano nos Estados Unidos.

Título: Tabuleiro dos Deuses – A Era de X (exemplar cedido pela Editora)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 420
Editora: Paralela

terça-feira, 12 de novembro de 2013

RESENHA: Laços de Sangue

“Isso era típico dos meus colegas humanos. Sempre buscavam explicações científicas mirabolantes antes de aceitar as fantásticas. Mas eu não tinha nenhum problema com isso. Tornava o meu trabalho mais fácil.” (MEAD, 2013, p. 254).

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Nunca fui fã da temática vampiresca, mas desde que li e me surpreendi com o primeiro volume da série Sookie Stackhouse (que inspirou a série True Blood), reconheço que perdi o preconceito com estes seres tão misteriosos. Mesmo sem ter lido a saga Academia de Vampiros, comentários do gênero “Richelle Mead sabe como maltratar nossos corações” despertaram meu interesse em conhecer mais de seu trabalho.

Sydney Sage é uma alquimista e, assim como seus demais colegas, sua principal função é manter a existência dos vampiros oculta do resto da humanidade. Para evitar uma guerra civil entre os vampiros e suas desastrosas consequências, Sydney precisará proteger Jill Dragomir, a princesa vampira, de toda e qualquer ameaça. Para isso, elas se escondem na Escola Preparatória Amberwood, onde Sydney terá que conviver com os seres que eram o alvo de seu desprezo.  

Sydney é uma personagem bastante singular. Em virtude de sua rígida educação, ela se torna a aluna “sabe tudo”, porém, o que lhe sobra em inteligência, lhe falta nas interações sociais, o que resulta em situações hilárias. Narrado em primeira pessoa, Sydney nos guia em uma imersão na peculiar realidade vampiresca, além de nos apresentar a outros personagens memoráveis.

A trama é repleta de mistérios, sendo que a autora deixa as peças do quebra-cabeça ao longo do caminho, sem que o leitor as perceba. Cabe salientar que Richelle guardou o melhor para o final, encerrando a obra com altas doses de adrenalina e tensão, sem deixar de dar as respostas que aguardávamos. O final deixa ganchos interessantíssimos para o próximo volume, O Lírio Dourado, que pretendo ler em breve.

Embora esperasse que houvesse mais cenas de ação repletas de reviravoltas inesperadas no decorrer da leitura, preciso reconhecer que a autora escreve extremamente bem, sabendo como envolver o leitor desde o início, deixando-o intrigado com as pontas das informações que libera aos poucos.

Laços de Sangue é o primeiro livro da série Bloodlines que, por sua vez, é um spin-off de Academia de Vampiros. Apesar de Laços de Sangue fazer referencias a acontecimentos que (suponho) tenham ocorrido na outra série, assim como contar com alguns de seus personagens, as sagas são independentes. De minha parte digo que o fato de não ter lido os livros da série Academia de Vampiros não influenciou meu envolvimento com Laços de Sangue.

Laços de Sangue é a mistura perfeita entre elementos sobrenaturais temperados com mistérios intrigantes, situada em um mundo criativo e original. O primeiro volume da série Bloodlines foi uma ótima forma de ser introduzido a obra de Richelle, e devo confessar que não falta muito para que eu tenha vontade de ler qualquer livro que estampe seu nome na capa.

Encerro a resenha parabenizando a autora, que na data de hoje completa 37 anos.

Título: Laços de Sangue (exemplar cedido pela Editora Seguinte)
Autora: Richelle Mead
N.º de páginas: 430
Editora: Seguinte
 

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