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sábado, 14 de setembro de 2019

RESENHA: Objetos Sobrenaturais

Objetos Sobrenaturais / Stacey Graham / Darkside BooksToda história de terror que se preze concentra seu núcleo aterrorizante em algo: um lugar, um objeto, uma lenda. O que poderia ser mais promissor que um livro que compila uma análise de todos esses elementos através de exemplos reais?

Dificilmente associamos o terror ao humor e essa foi a primeira coisa que me chamou a atenção em “Objetos Sobrenaturais”. Há humor no texto de Stacey Graham, nos exemplos e comparações que a autora faz, o que, claro, torna a leitura mais leve.

Na abertura, a autora expõe o tipo de lugares onde é mais fácil encontrar objetos que são mais do que meros objetos (caso você esteja procurando por um fantasminha de estimação) e também uma breve explicação sobre o tipo de fantasmas que podem ser encontrados e o que fazer para dar início a sua própria investigação sobrenatural, caso você queira (ou precise) se aventurar em uma.

A partir disso, o livro se divide em categorias, de acordo com os objetos que mais frequentemente carregam fantasmas, maldições e coisas do tipo. Começamos pelas nada inocentes bonecas. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que Anabelle não é apenas um filme de terror, mas uma boneca real tenebrosa? Também para a minha surpresa, essa foi uma das categorias que achei mais interessantes.

“Eu me sentia zonza e queria sair correndo. Enfiei a cabeça dentro de um quarto e de imediato senti alguma coisa correr em minha direção. Não sou exatamente médium – apenas o bastante para saber quando é preciso dar o fora.” (GRAHAM, 2019, p. 133)

Além das bonecas, a autora explora ainda casas, mobílias e hotéis (que, sem dúvida não poderiam faltar), ossos, em especial, crânios (que achei um tanto tedioso, confesso) e experiências pessoais (que traz histórias de lugares que podem ser visitados, como a Ponte de Londres e a Golden Gate). O livro dedica capítulos também para histórias relacionadas a Hollywood (como do carro “Little Bastard” de James Dean, o espelho assombrado por Marilyn Monroe, o anel amaldiçoado de Rodolfo Valentino e até mesmo o letreiro de Hollywood) e para histórias ligadas a oceanos (mais uma para a minha coleção de descobertas surpreendentes: a água é um chamarisco para entidades sobrenaturais). Por fim, uma espécie de manual sobre objetos e práticas que podem ajudar na proteção de pessoas e também de lugares.

Dentre as minhas histórias favoritas, destaco a de Anabelle, a do boneco Robert, “A Velha Faísca” (cujo objeto central é a cadeira elétrica onde morreu Ted Bundy), a do Hotel Driskill e a do Diamante Hope.

Além de construir a narrativa em trechos curtos, a autora também insere quotes dos mais diversos autores, entre eles o casal Ed e Lorraine Warren, Stephen King, Peter Straub e HP Lovecraft, que enriquecem a leitura.

Eu não chamaria “Objetos Sobrenaturais” de um livro assustador. Por focar em objetos e histórias, acredito que a intenção não seja criar uma atmosfera que cause arrepios, como seria no caso de uma trama complexa. Ainda assim, a imaginação é uma força poderosa, então talvez seja aconselhável não fazer essa leitura antes de dormir (nem deixar o livro repousando inocentemente na sua mesa de cabeceira).

Título: Objetos Sobrenaturais: histórias reais e artefatos sombrios
Autora: Stacey Graham
N° de páginas: 221
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora



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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

RESENHA: O Cemitério

o cemiterio stephen king
Louis Creed é um médico que se muda com a família para a pequena cidade de Ludlow. Ao explorar a região, descobrem que nas proximidades da sua nova casa há um cemitério para animais de estimação, utilizada há gerações pelas crianças da região. Mas aquelas terras indígenas escondem outro cemitério e a razão de Louis será confrontada quando descobrir o poder maligno daquele local. 

O início de O Cemitério é um pouco lento. King introduz não apenas os personagens centrais da estória e sua dinâmica, como também apresenta os cenários da obra, que desenvolvem um papel de extrema importância no desenvolver da trama. Mas, apesar de vagaroso, King consegue manter o leitor interessado, sobretudo porque nos deixa na expectativa do que está por vir. 

Um dos primeiros aspectos que me chamou atenção durante a leitura foi ver como o protagonista, um homem da ciência, lidaria com fatos sobrenaturais, inexplicáveis do ponto de vista lógico. A meu ver, é essa angústia do personagem, que não consegue lidar com o que aconteceu, que dá o tom do livro. 

Como era o esperado de um livro com tal título, King vai a fundo na temática da morte, da perda e do luto, mostrando as consequências que a dor podem causar. Assim, O Cemitério é um livro que dialoga abertamente sobre um assunto que ainda hoje é tratado como tabu, apesar de ser a única certeza que temos em vida. 

“— [...] Talvez ela aprenda alguma coisa sobre o que a morte realmente é: o ponto em que a dor cessa e as boas memórias começam. Não é o fim da vida, mas o fim da dor.” (KING, 2013, p. 173)

Vale registrar que é preciso ter cuidado para se referir a O Cemitério como um livro de terror. Isto porque a obra de King não se limita apenas a este gênero. É claro que há elementos sobrenaturais e em muitos momentos somos envolvidos por um clima de tensão, no entanto, é perceptível que King não escreveu apenas para amedrontar o leitor. A meu ver, O Cemitério é muito mais um drama familiar — que aborda até onde estamos dispostos a ir por amor —, temperado com uma dose generosa de suspense e horror. 

Saliento também que o autor não explica exatamente o que é o poder sobrenatural que domina aquelas terras, tampouco qual a sua origem. No entanto, tais detalhes são irrelevantes para o desenvolvimento da estória, pois o cerne diz respeito a família Creed, como eles são afetados por este poder e como reagem. 

Confesso que fiquei um pouco frustrado com a leitura e creio que isto aconteceu por causa do trailer da recente adaptação cinematográfica da obra. Imaginava que o livro focaria mais no que aconteceria após o encontro com as forças sobrenaturais e em suas consequências. No entanto, o livro termina de uma forma um pouco abrupta, deixando o leitor atordoado com os acontecimentos finais, deixando algumas coisas em aberto. E, apesar de ter gostado do desfecho, tinha uma expectativa diferente do que seria o desenvolvimento da estória. 

Infelizmente, não me envolvi tanto quanto gostaria com o livro. Não sei dizer até que ponto minha expectativa afetou ou até mesmo a demora para concluir a leitura. Ainda assim, O Cemitério foi uma leitura prazerosa, que conta com bons personagens, uma trama bem costurada e diversas reflexões sobre a vida e a morte.

Título: O Cemitério
Autor: Stephn King
N.º de páginas: 423
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

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segunda-feira, 17 de junho de 2019

RESENHA: A Casa Assombrada

Após perder o pai, Eliza Caine se vê sem opções e acaba aceitando o emprego de governanta em Gaudlin Hill. Porém, quando chega à propriedade, encontra duas crianças, Isabela e Eustace, e nenhum outro adulto. Eliza fica confusa com a situação, sem saber onde estão os pais das crianças que moram sozinhas, e tudo piora quando estranhos acontecimentos começam a assolá-la dentro da casa. 

Boyne, que é mais conhecido por seus romances históricos e livros juvenis, se aventurou em outro gênero: terror. A Casa Assombrada já parte de um dos maiores clichês do gênero: uma propriedade assombrada. Também fica clara a referência ao livro A Volta do Parafuso, de Henry James, que também conta com uma governanta e duas crianças que enfrentam entidades sobrenaturais. 

Ainda assim, apesar do clichê e da clara homenagem a James, Boyne faz um trabalho fantástico. Minha sensação foi de que o autor jogou luz sobre um assunto batido, de modo a conseguir explorar a funda suas diversas outras facetas. Ou seja, o clichê unidimensional virou um prisma, repleto de ângulos e facetas.  

Dessa forma, apesar de ter como premissa uma casa assombrada, o livro não se limita a isso. Acompanhamos toda a jornada de Eliza, seu processo de luto pela perda recente do pai, sua evolução e amadurecimento com pessoa. Além disso, Boyne vai aos poucos mostrando a estória de Isabela e Eustace e, principalmente, a de sua família, de modo que vamos juntando as peças até entender como as crianças estão naquela situação. É por todo esse desenvolvimento que acredito que A Casa Assombrada seja um drama com elementos sobrenaturais e de terror, pois estes não são o cerne da estória. 

Porém, mesmo não sendo o elemento principal, a verdade é que Boyne soube muito bem manter o leitor com o coração na boca. Apesar das assombrações não serem tão frequentes e nem mesmo originais para quem já está familiarizado com a literatura de terror, o autor aproveitou cada momento, conseguindo transmitir o medo e a angústia da protagonista com as situações sobrenaturais. 

“[...]. Somos todos animais sob nossas peles, srta. Caine? Mascaramos nossos instintos com palavras bonitas, roupas e comportamento aceitável? Dizem que, se nos entregássemos aos nossos desejos verdadeiros, avançaríamos uns sobre os outros com uma sede de sangue sem precedentes, todos nós.” (BOYNE, 2015, p. 142)

Outro aspecto que eu adoro nos livros do Boyne é o desenvolvimento dos personagens. É incrível como o autor consegue criar pessoas tão complexas, que se tornam praticamente reais na mente do leitor. E o mais surpreendente é perceber que até personagens que tem uma participação pequena na estória são bem desenvolvidos. Ao contrário de muitos autores que se limitam a dar um nome e uma profissão, Boyne compõe personagens verossímeis, pessoas com trajetórias de vida, as quais  explicam suas ações e formas de pensar. 

Já falei milhares de vezes como a narrativa do autor é envolvente e, mais uma vez, ele repetiu o feito. Fico abismado com sua capacidade de fazer o leitor mergulhar de cabeça em suas estórias e desejar retornar a superfície apenas no final. E falando em final, as últimas páginas são feitas de pura adrenalina e o desfecho surpreende, porém, não sei se agradará a todos os leitores. 

Apesar de não considerar o melhor livro do autor, A Casa Assombrada certamente foi um dos melhores livros de terror que li e prova definitivamente que John Boyne é um autor que consegue transitar por diferentes gêneros com maestria. 

Título: A Casa Assombrada
Autor: John Boyne
N.º de páginas: 291
Editora: Companhia das Letras
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 21 de janeiro de 2018

RESENHA: H.P. Lovecraft - Medo Clássico - Volume 1

H.P. Lovecraft / Medo Clássico / Darkside Books
Sou da opinião que todo grande nome da literatura ganhou seu status por uma razão e que alguém que se declara amante de livros deveria tentar conhecer pelo menos uma obra de cada um desses autores, independente do gênero que escrevam. H.P. Lovecraft é um deles. Por isso, quando a Darkside nos enviou de surpresa um exemplar de sua coletânea de contos, eu não perdi tempo e tratei de descobrir porquê Lovecraft se tornou um dos maiores nomes da literatura de terror, inspirando grandes autores como Stephen King.

Confesso que o tipo de terror normalmente associado a Lovecraft não é o tipo que me atrai. Gosto sim de terror – e muito! -, mas prefiro o terror psicológico a um terror com monstros. Provavelmente por isso, o conto com o qual mais me identifiquei foi “O Depoimento de Randolph Carter” , uma breve história de 9 páginas na qual o personagem título é interrogado a respeito de uma noite em que acompanhava seu amigo Harley Warren em uma pesquisa em um cemitério. O cenário é clichê, claro, mas é preciso lembrar que o conto data de 1919 quando, em muitos aspectos, o gênero ainda engatinhava.

O que faz o conto funcionar é o medo palpável de Carter. Não sabemos o que aconteceu naquela noite (nem ele mesmo sabe), mas sua narrativa não deixa dúvidas que ele ainda está aterrorizado com seja lá o que for que eles tenham testemunhado. O conto não traz respostas e essa também é uma das razões pelas quais funciona, afinal, nada mais assustador do que o desconhecido.

Lovecraft é um desses autores que, assim como Poe, parece se preocupar mais em criar uma atmosfera do que em desenvolver histórias. Talvez por isso, o texto conte com uma grande quantidade de adjetivos, algo que não funcionou para mim em muitos momentos, pois me desconectava do que estava sendo narrado. Ainda assim, é inegável que as imagens que o autor cria deixam muito para a imaginação.

“Então, com um derradeiro e intolerável toque, senti aquela corrente de ar frio, tênue e insidiosa, fluindo de um local mais baixo, próximo ao centro do enorme monte. Instantaneamente, como antes, minhas visões se esvaíram, e então vi novamente apenas a maléfica luz do luar, o taciturno deserto e os túmulos de cantaria paleógena espalhados. Agora algo real e tangível, ainda que repleto de sugestões infinitas de um mistério notívago, me confrontava.” (LOVECRAFT, 2017, p. 338) 

O livro faz parte da Coleção Medo Clássico, lançada pela Darkside Books, e que já conta com nomes como Edgar Allan Poe e Mary Shelley. No prefácio desta edição, a editora fala sobre a importância do autor dentro do gênero, sobre o desprezo que seus textos sofreram na época em que Lovecraft era vivo, sobre o estilo do autor e ainda sobre alguns contos selecionados para este primeiro volume. Impossível não ficar morrendo de vontade de conferir o que vem a seguir. A edição conta ainda com reproduções de materiais originais (entre eles anotações do autor) e textos sobre as comparações entre Lovecraft e Poe e ainda sobre a influência de Lovecraft na cultura pop.

Título: H.P.Lovecraft – Medo Clássico Volume I
Autor: H.P. Lovecraft
N° de páginas: 384
Editora: Darkside Books
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 24 de dezembro de 2017

RESENHA: Ultra Carnem

Ultra Carnem Cesar Bravo
De alguns anos para cá tenho buscado ler mais livros de terror e um dos nomes mais reconhecidos no cenário nacional é Cesar Bravo. Assim, não podia deixar de conferir seu livro de estreia na editora mais caveirosa do Brasil. 

Em uma noite chuvosa, um menino cigano é deixado em um orfanato católico. Mas Lester é um prodígio, apresentando uma aptidão espantosa para a pintura. Mas, de onde virá tanto talento? E por que sua tribo preferiu abandoná-lo? Anos depois, as obras de Lester continuarão encantando e seduzindo pessoas, que estarão dispostas a tudo para mudar de vida. 

Ultra Carnem é uma coletânea de quatro estórias. Digo estórias — e não contos — por que elas não são independentes, embora também não sejam a continuação direta uma da outra. A verdade é que as estórias dividem um mesmo fio condutor e acabam formando uma colcha de retalhos. 

Como esperado, as estórias contam com elementos sobrenaturais, além de muito suspense e terror. Entretanto, confesso que esperava encontrar um terror que me deixasse com mais medo, a ponto de não ter coragem de ler o livro depois do pôr do sol. Ainda assim, algumas cenas são bastante tensas e causam aquele frio na espinha. 

“— E a senhora nunca pediu nada?
— Se eu pedisse, teria recebido. Só que o preço seria caro demais. Tudo que vem de baixo puxa a gente pra baixo depois de um tempo. É como um pântano.” (BRAVO, 2016, p. 263)

O livro dialoga abertamente com a religião e com a relação do homem com Deus e o diabo, mostrando os mais diversos interesses que motivam a aproximação com um ou com outro. A fé, no sentindo de acreditar em alguma coisa, também ganha espaço na discussão. 

Outro aspecto interessante é que Bravo não se limitou a mostrar o inferno como retratado na Bíblia ou até mesmo na mitologia. Pelo contrário, o autor criou outras camadas e até mesmo uma hierarquia, mostrando como os “negócios” são conduzidos na Terra. Porém, registro que foi um pouco difícil aceitar que seres tão poderosos quanto demônios fossem tão limitados, chegando ao ponto de depender de humanos para a concretização de seus planos. 

A narrativa é dinâmica, embora em alguns momentos tenha me deixado a impressão de que o autor se esforçou demais em descrever os cenários e outros aspectos de pouca relevância para o desenvolvimento da obra, o que acabou por diminuir o ritmo da estória

Os personagens são interessantes e bem desenvolvidos, porém, por ser uma coletânea de estórias, não há alguém que possa ser chamado de protagonista. Assim, senti falta de um personagem com quem pudesse estabelecer uma conexão maior. 

Para quem gosta de estórias sobrenaturais, que flertam com a discussão sobre o bem e o mal, tenho certeza que Ultra Carnem irá agradar em cheio. 

Título: Ultra Carnem
Autor: Cesar Bravo
Nº de páginas: 376
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

13 companhias caveirosas para a sua sexta-feira 13

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Quem gosta de suspense sabe o valor de uma sexta-feira 13. Quando a data chega, é impossível não ficar com vontade de conferir um filme de terror ou ler um livro que o fará querer dormir com as luzes acesas.

A convite da Editora Darkside, preparamos um post para celebrar a data e sugerir para vocês 13 companhias para uma sexta-feira 13 bem caveirosa. 

1. Norman Bates - Psicose

Norman Bates é o tímido gerente do Motel Bates, um estabelecimento à beira de estrada. Mas caso você cogite se hospedar lá nesta sexta-feira 13, saiba que os Bates guardam alguns esqueletos no armário.


2. A Família Lutz - Amtyville

George e Kathleen Lutz são um tipo azarado para você convidar para a sua casa, já que eles não tiveram experiências muito boas com o que parecia a casa dos sonhos de qualquer família e fugiram 28 dias depois da mudança. Mas quem pode culpá-los? Caso você queira ouvir algumas histórias realmente assustadoras nessa sexta-feira 13, acenda uma fogueira e chame os Lutz para sentar com você.

3. Victor Frankenstein - Frankenstein

Todo mundo já ouviu falar do "Monstro" de Frankenstein, mas você já conheceu Victor Frankenstein? Ele é um jovem talentoso, cheio de ambição e obcecado por descobrir a centelha da vida. E quando a descobre, ele não percebe que a criatura que trouxe a existência é essencialmente humana, apesar da aparência grotesca. Essa sexta-feira 13 também pode ser uma oportunidade para você descobrir quem é o verdadeiro monstro desta clássica estória: a criatura ou o criador?

4. Rhoda Penmark - Menina Má

Rhoda Penmark parece uma adorável menina de oito anos, mas apenas parece. Por trás do rosto angelical se esconde uma mente fria e manipuladora, capaz de atos perversos. Se você quiser ficar de babá de Rhoda nesta sexta-feira 13, é bom ficar atento.

5. Dr. Vincent Di Maio - O Segredo dos Corpos

Se você prefere o terror do mundo real, sugerimos que você aproveite a sexta-feira 13 para fazer uma visita ao necrotério. Seu guia será o Dr. Vincent Di Maio, um conceituado médico legista que irá lhe mostrar de perto como acontece uma necropsia e qual a sua importância para a investigação e o julgamento.

6. "Ogro" - Diário de uma Escrava

"Ogro" é o pior tipo de monstro com o qual você pode se deparar. Um pedófilo. Um homem que caça meninas e as mantém em cativeiro como escravas sexuais. Se você for dar um passeio nesta sexta-feira 13, fique atento a tipos suspeitos.


7. Verônica - Bom dia, Verônica

Você pode aproveitar a sexta-feira 13 para acompanhar a policial Verônica Torres pelas ruas de São Paulo. Mas não se engane: os crimes que ela investiga são brutais e mostram o que há de pior na humanidade. Se você acha que aguenta, esteja preparado para testemunhar torturas, violência e diversas formas de abuso.

8. Bryan Clauser - Noturno

Sexta-feira 13 não é um bom dia para descobrir que existe um culto em São Francisco. Muito menos que suas vítimas são barbaramente assassinadas. Mas se você não tem medo do que se esconde nas sombras, talvez queira acompanhar o detetive Bryan Clauser nesta aventura sobrenatural.

9. Corvo - conto O Corvo

Poderia haver algo mais sinistro que um corvo do lado de fora da sua janela no meio da noite enquanto você lamenta a perda da sua amada? Caso você decida ficar em casa nesta sexta-feira 13, é melhor fechar bem as portas e as janelas para não atrair companhias indesejadas.

10. Louis Cypher - Coração Satânico

Louis Cypher é um tipo misterioso. Ele quer que o detetive Harry Angel localize o famoso cantor Jhonny Favorite, desaparecido há anos. Mas quais os verdadeiros motivos que movem Cypher? Se você estiver pensando em aceitar um servicinho extra nesta sexta-feira 13, pense bem antes de assinar o contrato.

11. Arcebispo da Cantuária - Abominação

O arcebispo da Cantuária descobriu feitiços que poderiam impedir a invasão dos vikings. Os velhos pergaminhos detalham uma poderosa magia que seria capaz de criar um exército invencível. Mas há um preço a ser pago. E garanto que você não quer ficar no caminho do arcebispo para descobrir que preço é esse, especialmente numa sexta-feira 13.

12. Frank Cauldhame - Fábrica de Vespas

Um menino de 16 anos que já matou três pessoas (incluindo seu irmão mais novo e sua prima) e que gosta de fazer pequenos experimentos violentos com animais e registrá-los em um diário, a fim de aplacar o tédio do seu dia a dia em vilarejo afastado em uma ilha escocesa. Se você não tiver medo de brincar com fogo, um passeio com Frank é uma boa pedida para a sua sexta-feira 13.

13. Stephen King 

Para encerrar, quem poderia ser uma companhia mais caveirosa que o homem que criou mundos, medos e monstros e nos mostrou que os piores costumam viver dentro de nós? Uma receita infalível para a sua sexta-feira 13, sem dúvida, é a companhia do mestre Stephen King.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

RESENHA: Na Escuridão da Mente

“Para ser sincera, e deixando de lado todas influências externas, existem algumas partes das quais me lembro com tantos detalhes horríveis que temos me perder no labirinto de lembranças. Há outras que permanecem confusas e misteriosas como se fossem a mente de outra pessoa e temo que, em minha cabeça, eu tenha provavelmente misturado e comprimido as linhas do tempo e os acontecimentos.” (TREMBLEY, 2017, p. 23)

***

Marjorie Barret é um adolescente de 14 anos que apresenta sinais de esquizofrenia aguda. Porém, quando os médicos não conseguem tratar a doença, a família procura a ajuda do padre Wanderly, que acredita que a jovem esta possuída por um demônio. O padre também entre em contato com uma produtora, que se oferece para gravar um reality show sobre a família e o exorcismo. Embora contrariados, a família Barret acaba aceitando a oferta em virtude das dívidas que se acumulam. Quinze anos depois, uma escritora entrevista Merry, a irmã mais nova de Marjorie, para escrever um livro sobre a família, o reality show e o exorcismo. 

Os capítulos são narrados em primeira pessoa por Merry e se alternam entre o presente e o passado, além de contar também com os posts de uma blogueira que analisa os episódios do reality show. Desta forma, o leitor vai coletando informações e montando um grande quebra-cabeça sobre o que aconteceu com a família Barret. 

Marjorie, como o esperado, é o grande destaque do livro. Tremblay construiu uma personagem astuta e ambígua, que deixa o leitor em dúvida o tempo todo, pois não conseguimos ter certeza se estamos vendo apenas um adolescente mentalmente instável ou se há forças sobrenaturais envolvidas. 

Outra jogada inteligente do autor foi utilizar Merry como narradora do livro, não apenas por transmitir ao leitor uma visão do que se passava com aquela família, mesmo com as câmeras desligadas, mas também para provocar mais dúvidas no leitor, afinal, na época dos fatos Merry era uma criança de oito anos. Até que ponto suas memórias e relatos são confiáveis? Até que ponto pode ter romanceado ou fantasiado os fatos?

Porém, o problema de Na Escuridão da Mente é que seu ritmo é bastante lento e, em certo momentos, a leitura se torna um pouco monótona. Creio que a intenção do autor era ir acentuando os momentos de tensão até culminar no exorcismo de Marjorie, porém, a impressão que fiquei é que a estória patinou até alcançar o ápice. 

O exorcismo em si rendeu cenas e diálogos interessantes, além de fazer com o próprio leitor sentisse na pele o nervosismo dos personagens, porém, não conseguiu ir além do que outros livros, filmes e séries já fizeram. Entretanto, é preciso registrar que nas páginas finais o autor seguiu um caminho inesperado e que deu um fim surpreendente à estória. 

O principal motivo que me levou a ler o livro foram as diversas frases estampadas na capa e na contracapa que prometiam um livro assustador. Sinceramente, não foi isso que eu encontrei. Sim, o livro conta com cenas tensas e que até causavam um friozinho na barriga, mas certamente não me assustou para valer, não tirou meu sono, não me deu pesadelos e tampouco foi o livro mais assustador que já li. 

Na Escuridão da Mente é um livro que acerta por brincar com a mente do próprio leitor, deixando-o em dúvida sobre o que realmente aconteceu, mas peca por contar com um ritmo arrastado. Mas preciso admitir que, para mim, a leitura deixou um gostinho de decepção por não entregar o livro assustador que eu esperava encontrar. 

Título: Na Escuridão da Mente
Autor: Paul Tremblay
N.º de páginas: 264
Editora: Bertrand Brasil
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

RESENHA: Edgar Allan Poe: Medo Clássico

Uma falha seríssima no meu currículo de leitora era nunca ter lido os contos de Edgar Allan Poe: o mestre. Aquele que deu início a tudo. Afinal, se Sherlock Holmes é o primeiro nome que se pensa quando o assunto é detetives da literatura policial, uma coisa é certa: Sherlock jamais haveria existido se antes não houvesse um Dupin. Por isso, quando a Darkside lançou esse primeiro volume reunindo contos de Poe eu soube que minha falha seria sanada em breve e em grande estilo.

A primeira coisa que chama atenção é a melodia existente no texto de Poe, que parece ter sido escrito para ser lido em voz alta. A segunda é que, mais do que uma sequência de acontecimentos, fica claro que o autor se preocupa em criar uma atmosfera e induzir sensações em seu leitor mais do que em criar uma trama (tanto que alguns contos têm acontecimentos semelhantes).

Os contos foram divididos de acordo com temas: “Espectro da Morte” (com uma temática mais sobrenatural), “Narradores Homicidas” (nos quais homens comuns, por motivos nada cotidianos, foram levados ao homicídio), “Detetive Dupin” (casos do célebre personagem que inaugurou a literatura detetivesca como a conhecemos), “Mulheres Etéreas” (em que homens apaixonados convivem com a morte de suas amadas) e “Ímpeto Aventureiro” (contos mais leves). Essa divisão mostra a abrangência da obra de Poe. De certa forma, podemos dizer que ele colocou a pedra inicial em cima das quais outros autores moldaram gêneros.

“Já não lhe falei que o que você confunde com loucura é tão somente uma exacerbação dos sentidos?” (POE, 2017, p.110)

Destaco aqui “Gato Preto” (um dos contos de “Narradores Homicidas”) no qual um homem começa a se tornar irritadiço e violento, acaba por matar seu gato e, assombrado por tal ato, acaba cometendo um ainda mais grave. Destaco também “Assassinatos na Rua Morgue” que, apesar de ser completamente absurdo - e, na minha opinião, trair a confiança do leitor ao propor o tipo de desfecho que em nenhum momento ele teria condições de desvendar, por mais atento que estivesse - é o pai das histórias policiais que, mais tarde, serão assinadas por Conan Doyle e Agatha Christie: um assassinato aparentemente insolúvel, muitas pistas, um detetive atento a detalhes que ninguém mais consegue captar e um desfecho surpreendente.

O texto mais famoso de Poe, o poema “O Corvo”, ganhou destaque especial com um texto introdutório no qual o próprio autor explica como surgiu a ideia do poema e quais as suas intenções com cada estrofe. Na sequência, o leitor pode conferir o texto original, em inglês, e duas traduções: uma de Machado de Assis e outra de Fernando Pessoa (eu, particularmente, preferi a primeira) que mostram, mais uma vez, a importância do tradutor na percepção que o leitor tem da obra, afinal, as versões de Machado e Pessoa são bem diferentes uma da outra.

Mas eu estaria mentindo se dissesse que Poe correspondeu às minhas expectativas. Confesso, inclusive, que achei alguns contos bastante enfadonhos e até mesmo confusos. Acredito que isso faz parte da intenção do autor, de fazer o leitor sentir mais do que entender. Mas, apesar do caráter sensorial do texto, eu não me senti amedrontada como eu esperava, nem mesmo tão envolvida com o que os personagens sentiam. Reconheço diversas qualidades nos contos, em especial a sonoridade do texto e as imagens que Poe facilmente cria na mente do leitor, mas para mim a leitura valeu mais para entender a importância do autor dentro da literatura de terror, mistério, suspense e policial do que pela experiência de leitura em si.

Além de contar com um prefácio de Márcia Eloísa (responsável pela tradução da obra) essa edição também conta com um prefácio do poeta Charles Baudelaire (que também traduziu textos de Poe) falando um pouco sobre o autor e sua obra. A edição traz ainda imagens da casa onde Poe morou e acompanha cada conto de uma ilustração sombria.

Esse é o primeiro volume da “Coleção Definitiva de Edgar Allan Poe” e integra a coleção “Medo Clássico”, da editora Darkside, que contará ainda com nomes como H.P. Lovecraft, Mary Shelley e Bram Stoker.

Título: Edgar Allan Poe: Medo Clássico
Autor: Edgar Allan Poe
N° de páginas: 384
Editora: Darkside
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 29 de março de 2017

RESENHA: Frankenstein

Frankenstein Mary Shelley
Frankenstein é um dos livros mais icônicos da literatura de terror, sendo que até mesmo aqueles que não leram a obra conhecem a estória. É por isso que se pode afirmar com segurança que Frankenstein transcendeu não apenas fronteiras geográficas e temporais, mas transcendeu seu próprio formato. O monstro não vive apenas no livro escrito por Mary Shelley, mas habita o imaginário popular, sendo mais conhecido que sua própria criadora. 

Victor Frankenstein é um jovem ambicioso, com aptidão para as ciências naturais. Quando ingressa na faculdade, dedica-se com afinco aos estudos a fim de descobrir como poderia criar a centelha de vida que animaria um ser criado por suas mãos. Mas quando alcança este feito, apavora-se com o resultado e com suas implicações. A criatura, apesar de sua aparência grotesca, é essencialmente humana e nutre os mesmos tipos de sentimento, como amor, esperança, desejo de aceitação, medo e ódio. 

O texto de Shelley é um pouco cansativo, visto que a narrativa da autora é eminentemente descritiva. Creio que isso se atribui ao fato de que o livro consiste em um relato linear do próprio Victor acerca de sua jornada, ou seja, a narrativa diz respeito à descrição dos acontecimentos e não aos acontecimentos em si. Outro aspecto que me incomodou um pouco são as inúmeras coincidências utilizadas pela autora a fim de cruzar as vidas de Victor e da criatura.

“Um dos fenômenos que atraíram de modo peculiar minha atenção foi a estrutura do corpo humano e, decerto, de qualquer animal dotado de vida. Por isso, muitas vezes perguntei de onde procedia o princípio da vida. Era uma pergunta arrojada e considerada sempre um mistério; no entanto, quantas coisas estaríamos prestes a conhecer se a covardia ou o descuido não impedisse nossas pesquisas?” (SHELLEY, 2017, p. 67)

Meu interesse e envolvimento com a estória apenas surgiu quando a criatura confronta seu criador, narrando-lhe suas experiências de vida. A meu ver, este é o ponto alto da trama, pois Shelley revela de forma genial a humanidade do mostro e a monstruosidade da humanidade. É impossível não se sentir indignado com o tratamento que todos dão à criatura, julgando-a apenas por sua aparência. 

É a partir deste cenário de julgamentos e de preconceitos que Shelley mostra que o “monstro” nada mais é do que um produto de seu meio, e suas ações são, na verdade, meras reações às injustiças que sofreu. É por isso que vejo Frankenstein muito mais como um livro de drama, do que uma estória de terror ou de ficção científica. 

Vale registrar também que Frankenstein é uma mina de ouro para as reflexões, sendo que uma delas se destacas: existem limites para as ciências e para experimentos científicos? Ou será que há mistérios que estamos fadados a não compreender? Mesmo tendo sido publicado originalmente há duzentos anos, Shelley já explorava assuntos que são extremamente pertinentes nos dias de hoje. 

Frankenstein é uma interessante estória baseada em dicotomias: criatura e criador, esperança e medo, desejo de aceitação e rejeição, injustiça e vingança, vida e morte. Apesar de contar com um texto denso e um pouco cansativo, a obra certamente brilha por suas reflexões. 

Esta edição ainda apresenta quatro contos da autora com a temática da imortalidade. 

Título: Frankenstein 
Autora: Mary Shelley
N.º de páginas: 304
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Lista de Releituras # 13

Lista de Releituras é a coluna em que falamos sobre os livros que já lemos e temos muita vontade de ler novamente, mas que, por diversas razões, não chegaram a ser resenhados no blog

Amityville - Jay Anson - Darkside
Título: Amityville
Autor: Jay Anson

Sinopse: Em 1975, George e Kathleen Lutz resolveram recomeçar a vida em uma nova residência que compraram por uma pechincha. Vinte e oito dias depois, os cinco membros da família fugiram aterrorizados, deixando a maior parte de seus pertences para trás. Estranhos eventos começaram a acontecer, afetando a vida dos Lutz e indicando que uma presença maligna habitava a casa. Embora tenha sido amplamente divulgada pela mídia, em especial nos jornais e nas revistas da época, muitas vezes de maneira sensacionalista, a história da casa nunca havia sido contada com riqueza de detalhes — até Jay Anson decidir reconstruí-la e transformar seu livro de não-ficção em um dos relatos paranormais mais importantes e conhecidos de todos os tempos. (Sinopse: Darkside Books)

Ocasião da primeira leitura: por volta de 1999-2000

Por que está na Lista de Releituras? Porque “Amityville” é, até hoje, o único livro que me fez sentir medo de verdade.

Comentários: Eu tinha 12 ou 13 anos quando me aventurei (ou talvez devesse dizer “fui louca o suficiente para me encorajar”) a ler essa obra-prima do terror. Talvez tenha sido pela idade, mas “Amityville” me matou de medo na época e, tanto o livro me marcou que, ainda hoje consigo lembrar algumas das coisas sinistras que aconteceram com a família Lutz.

Quando penso em “Amityville”, lembro nitidamente de estar deitada no sofá do meu quarto e dar pulos se a cortina balançava ou mesmo se uma sombra passava pelo corredor (eu podia ser louca e corajosa de ler, mas pelo menos tinha juízo de não fazer isso com as portas fechadas). Logo eu que nunca fui do tipo medrosa e naquela época gostava de maratonar filmes de terror com as minhas amigas!

O que acontece é que “Amityville” não é uma história qualquer sobre casas assombradas. É “A” história sobre casas assombradas, já que os fatos narrados por Anson foram baseados em acontecimentos reais e recriam os 28 dias angustiantes que os Lutz permaneceram na residência. Isso, claro, intensifica ainda mais o poder da leitura. 

“Amityville” foi um livro que me marcou e é sempre o primeiro nome que vem a minha cabeça quando o assunto é literatura de terror ou casas assombradas. Por tudo isso, sempre tive curiosidade de fazer uma releitura, agora com olhos adultos. Será que eu sentiria o mesmo medo? Será que a história teria o mesmo efeito? Quando a Darkside anunciou o lançamento, ele definitivamente conquistou o seu lugar na minha lista de releituras (para ler com muitas luzes acesas e em dias ensolarados).

sábado, 17 de setembro de 2016

RESENHA: 'Salem

'Salem Stephen King
Admito que o fator determinante para que eu lesse ‘Salem foi o fato de que o livro é considerado por muitos fãs como uma leitura necessária para a saga A Torre Negra, que pretendo começar ainda este ano. Comecei a leitura apenas para riscar o livro da lista e acabei me surpreendendo com a estória empolgante e envolvente que encontrei. 

O escritor Benjamin Mears retorna a Jerusalem’s Lot (conhecida como ‘Salem) a fim de tentar exorcizar seus demônios de infância. Mas, logo após sua chegada, a pequena cidade se vê em luto quando dois garotos se aventuram na floresta e apenas um deles retorna. A situação piora quando os habitantes começam a desaparecer. Ben e seus companheiros terão que vencer a incredulidade e combater o mau que ronda ‘Salem. 

O primeiro ponto que merece destaque é o constante clima de tensão que King mantém durante toda a obra. Cada vez que eu pegava o livro, tinha a sensação de que era transportado para Jerusalem’s Lot, sentindo na pele a atmosfera sufocante e sombria que envolvia a cidade e seus moradores. Mas deixo claro que o livro tende muito mais para o gênero suspense/thriller psicológico do que para o terror, contando apenas com algumas poucas cenas mais assustadoras. 

Me impressiona o fato de que ‘Salem seja o segundo livro publicado pelo autor, pois sua evolução é palpável. Carrie, a Estranha — sua primeira obra — apresenta uma trama mais simples e linear, focando na jornada dos personagens, enquanto ‘Salem conta com uma estória mais complexa, repleta de reviravoltas, e um cenário mais rico, mas sem deixar o desenvolvimento dos protagonistas de lado.

“A cidade conhecia a escuridão. Conhecia a escuridão que cobria a terra quando o sol se escondia e também a escuridão da alma humana.” (KING, 2013, p. 235)

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanhamos não apenas o ponto de vista de Ben, mas também de personagens igualmente importante para o desenvolver da estória. Entretanto, me pareceu que King pecou pelo excesso de personagens, pulverizando demais a trama. Como consequência, embora tenha simpatizado com Ben e os demais protagonistas, confesso que não criei com nenhum deles uma conexão mais forte. Se não fosse por este fator, tenho certeza que ‘Salem teria se tornado um dos meus livros preferidos do autor.  

O desenvolvimento da estória é impecável. ‘Salem é o tipo de livro que faz o leitor perder a noção do tempo e virar as páginas sem nem perceber. Apesar de contar com uma primeira parte mais vagarosa, referente a apresentação dos personagens e do contexto, King consegue prender a atenção do leitor desde o início. E quando a luta entre o bem e o mal tem início, se prepare para muitas emoções. O desfecho guarda altas doses de ação e adrenalina, deixando o leitor com o coração na boca. 

Apesar da premissa não parecer aquilo tudo, garanto que ‘Salem representa King em sua melhor forma: uma mistura de suspense, aventura e terror, com toques de sobrenatural. Tenha você interesse de ler a série A Torre Negra ou não, garanto que ‘Salem é uma ótima leitura.

Título: ‘Salem
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 460
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

RESENHA: Doutor Sono

Doutor Sono Stephen King
Depois da leitura de O Iluminado, admito que fiquei curioso para ler Doutor Sono apenas para saber o que teria acontecido com Danny, um dos mais interessantes personagens que King já criou. Mas fora essa curiosidade, admito que este livro nunca esteve no topo da minha lista de leituras obrigatórias. E foi neste estado de ânimo que acabei lendo um dos melhores livros do ano. 

Após viver anos assombrado pelos acontecimentos que ocorreram no Hotel Overlook, e sem saber como lidar com o alcoolismo e a violência herdados de seu pai, Dan Torrance finalmente encontra apoio para recomeçar sua vida do zero. É então que Dan conhece Abra Stone, uma garota que possui o mesmo dom que ele, porém, em uma escala muito maior. A vida deles dois irá cruzar com a seita denominada Verdadeiro Nó, que caça crianças iluminadas para realizar macabros rituais. 

O primeiro aspecto que fica claro durante a leitura é que a estória de Doutor Sono é muito natural. Imagino que muitos leitores e até mesmo editores devem ter indagado King sobre o que teria acontecido com Danny após os eventos de O Iluminado. Ainda assim, King publicou a continuação apenas trinta e seis anos depois, o que deixa explicito que o autor não criou uma estória qualquer para satisfazer uma demanda, mas que apenas se propôs a escrevê-la quando descobriu o que o futuro reservou ao garoto que era iluminado. 

E sim, Danny — agora Dan — continua sendo um personagem complexo e brilhante. Mas dessa vez, ele precisa dividir as luzes do palco com vários personagens. Merecem destaque Abra, a menina iluminada que ainda está descobrindo como usar seu poder e que se torna alvo da seita, e Rose, líder destemida e implacável do Verdadeiro Nó, uma vilã tão assustadoramente real que somente poderia ter saindo da mente de King.

“A vida era um disco, cuja única tarefa era girar, e que sempre voltava ao início.” (KING, 2014, p. 459)

Creio que a principal diferença entre O Iluminado e Doutor Sono é que o primeiro consiste no terror psicológico, afinal, vemos Jack Torrance perdendo o controle, e sentimos a aflição de Danny ao ver o que o Overlook está fazendo com seu pai. Já o segundo é um livro difícil de classificar, pois ao mesmo tempo que parte de uma premissa sobrenatural, divide-se entre o drama e o suspense. Mas a grande diferença é que Doutor Sono é absolutamente imprevisível. Desde o início fiquei me perguntando como o King iria entrelaçar tramas tão diversas, e o que iria acontecer no final e, para meu deleite, fui surpreendido a cada capítulo. 

E falando em tramas, este é outro aspecto que merece destaque. Na primeira metade do livro, King apenas desenvolve os três núcleos centrais, focando em apresentar os personagens e o contexto. Apesar de ter este caráter mais introdutório, é incrível como King consegue prender a atenção do leitor ao desenrolar dessas tramas secundárias, que se referem a apenas um desses núcleos, fazendo com que o restante da estória perca importância. 

Na segunda metade do livro, meu conselho é: respire fundo e se prepare para uma montanha russa de emoções. É nesse momento que a vida dos personagens começa a se cruzar com mais força, e King não poupa o leitor: é tanta ação, adrenalina e reviravoltas, que é simplesmente impossível parar de ler. E para deixar claro, isto não é um mero eufemismo, pois li mais de duzentas páginas em uma só noite. 

O desfecho é tão empolgante e eletrizante quanto a jornada, sendo que todas as pontas são devidamente amarradas. Porém, minha única crítica ao livro se resume a isto: me pareceu que em determinada ocasião King reciclou uma ideia já explorada em outro livro em um dos momentos chave de Doutor Sono. Mas, é claro que tal deslize não foi o suficiente para ofuscar a genialidade da obra. 

Também não posso deixar de falar de como King aborda o alcoolismo com propriedade, deixando claro que fala por experiência própria. Mas, ao mesmo tempo em que possui conhecimento de causa, o autor não despeja informações desnecessárias, tampouco dá lições de vida. 

Encerro a resenha reconhecendo que não fiz jus ao livro e enfatizando que Doutor Sono se tornou um dos meus livros preferidos de Stephen King. Agora, resta torcer para que esta continuação inesperada também ganhe uma continuação, desta vez enfocando em Abra, uma personagem tão rica quanto Dan. E, sinceramente, não me importo em esperar por mais trinta anos se a qualidade da obra estiver no mesmo nível de Doutor Sono. Sei que valerá a pena.

Título: Doutor Sono
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 472
Editora: Suma de Letras

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domingo, 20 de setembro de 2015

RESENHA: Caixa de Pássaros

“Ele espera. E, quanto mais espera, mais assustado fica. Como se o silêncio ficasse mais alto. Como se estivesse prestes a escutar algo que não quer ouvir.” (MALERMAN, 2015, p. 81/82)

***

Caixa de Pássaros chamou minha atenção quando o vi entre os mais vendidos da Amazon americana. E em minha busca por ler um livro que me fizesse sentir medo, a obra de estreia de Josh Malerman me pareceu uma boa opção. 

Pessoas normais começam a ter surtos de violência e loucura seguidos de suicídio ao redor do mundo, sendo que as autoridades não sabem a causa deste problema. Quando é divulgada a notícia que as vítimas agiam desta forma após verem alguma coisa, as pessoas começam a cobrir as janelas com cobertores e usar vendas para sair. É nesse contexto que Malorie, uma jovem grávida, se junta a um grupo de desconhecidos para enfrentar a difícil tarefa de sobreviver em um mundo caótico, dominado pela insanidade e insegurança. 

A narrativa é intercalada em dois momentos: o início da epidemia e a luta pela sobrevivência, e quatro anos depois, com a fuga de Malorie da casa em que moravam. O texto do autor é fluido e facilmente nos envolvemos com a estória, mesmo que não possua nada de excepcional. 

O ponto alto de Caixa de Pássaros é que Malerman soube brincar com o leitor, colocando-o no lugar dos personagens. Quando estes saíam às cegas em busca de suprimentos, eu sentia como se também estivesse vendado, ao lado deles. Tropeçando em cadáveres, me assuntando com qualquer barulho e imaginando que estava sendo observado. A grande jogada do autor foi utilizar da ideia de que não há medo maior do que medo do desconhecido, e nestes momentos, a tensão era palpável.

O ponto baixo é que Caixa de Pássaros é o tipo de livro que não se concentra em respostas, mas sim na jornada da protagonista. O que não seria um problema, mas tendo em vista que o autor optou por não explorar ao máximo o cenário que criou, seria necessário que a obra contasse com personagens muito bem construídos e que os conflitos entre eles fossem de tirar o fôlego. Infelizmente, este não foi o caso. 

A estória que Malerman tinha para contar se resume a jornada de sobrevivência de Malorie neste mundo inóspito, bem como a evolução dela neste tempo. A ideia de uma jornada, por si só, não me incomoda, o problema foi que muitos dos episódios narrados eram de pouco impacto e até mesmo de pouca serventia para o desenrolar da trama. Os momentos de ação são escassos e minha impressão era de que lia páginas e mais páginas em que nada acontecia. 

Para disfarçar a ausência de ação, boa parte do livro se dedica a descrever o estado de espírito dos personagens, seus pensamentos e emoções, usando e abusando de adjetivos. Por isso, me pareceu que o autor tentou enveredar para um terror de natureza mais psicológica, abordagem que certamente parece interessante na teoria, mas que não funcionou na prática. Considerando que esse tipo de terror é mais subjetivo e parte do íntimo do personagem, ele apenas causará um verdadeiro impacto se houver uma conexão com o leitor. E Malorie não conquistou minha empatia. 

Caixa de Pássaros é um livro com uma premissa fantástica e tem seus bons momentos, porém, encerrei a leitura com a impressão de que a estória poderia ter sido melhor executada. 

Título: Caixa de Pássaros (exemplar cedido pela editora)
Autor: Josh Malerman
N.º de páginas: 268
Editora: Intrínseca

terça-feira, 30 de junho de 2015

RESENHA: O Iluminado

O Iluminado Stephen King
Nos idos de 2008, estava lendo O Iluminado, e acabei assistindo a adaptação antes de encerrar a leitura. E depois de um final tão confuso, acabei desistindo do livro. Foi apenas em 2012 que resolvi conferir outro livro de King e com Sob a Redoma me tornei seu fã. Desde então, li outros livros do autor, mas os que tendiam para o terror não me assustaram. Assim, decidido a sentir medo lendo algum livro do Mestre do Terror, percebi que era chegada a hora de dar uma segunda chance para O Iluminado.

Jack Torrance é um ex-alcoólatra que luta para manter-se sóbrio depois de ter sido demitido de seu último emprego. Quando ele consegue o cargo de zelador no Hotel Overlook, os Torrance imaginam que todos os seus problemas irão ficar para trás. Porém, antes mesmo de embarcarem rumo ao hotel, Danny, o filho de Jack, já sabe que o Overlook possui uma aura maligna. Isso por que ele é uma criança iluminada, com poderes sobrenaturais, que serão postos a prova pelo hotel. 

O Iluminado deixa claro que King usa de elementos sobrenaturais para criar conflitos e trazer a pior faceta do ser humano à tona. Ou seja, o sobrenatural, embora tenha um peso na estória, não é o foco dela, mas sim as reações que tais elementos causam na vida daquelas pessoas. 

Jack Torrance é um personagem brilhante. O professor aspirante a escritor, culto, talentoso, bem educado. O pai adorado que fica horrorizado ao perceber o que a bebida está fazendo com sua família e luta para abandonar o vício. Jack não é intrinsecamente mal, mas as forças malignas do Hotel Overlook despertam o que há de pior nele. Ainda assim, Jack é profundamente humano e sua humanidade pode ser vista mesmo nos piores momentos. 

E se Jack é um ótimo personagem, o que falar de Danny? Uma criança com estranhas habilidades, que percebe o poder maléfico do hotel sobre seu pai, e que tenta de todas as formas impedir que Jack sucumba àquelas forças. Danny é um personagem tão complexo que imagino que o próprio King deve ter se questionado por anos o que teria acontecido com aquele garotinho.

“Todo hotel tem seus fantasmas? O Overlook tinha uma assembleia deles.” (KING, 2012, p. 180)

O Iluminado é o tipo de livro que assusta muito mais por causa do terror psicológico, do que por causa dos elementos sobrenaturais. A estória de Jack e a forma como ele paulatinamente caminha para o lado negro ao longo da trama é um dos pontos mais interessantes da obra e, a meu ver, muito mais assustador do que a própria estória do hotel. 

E quanto a pergunta que não quer calar: senti medo? O Iluminado é, de longe, um dos livros de King que mais me deixou tenso, pois o vínculo entre o leitor e Danny é tão grande que é fácil sentir o clima pesado sair das páginas do livro. Apesar de conter algumas cenas em que o coração bateu mais rápido, devo admitir que não senti necessidade de guardar o livro no freezer em nenhum momento (entendedores entenderão. Caso contrário, clique aqui). 

Para quem já conhece o trabalho do King, sabe que sua narrativa tem o poder de inserir o leitor completamente na estória. A trama é linear e não conta com grandes reviravoltas ou surpresas, o que me pareceu uma decisão acertada, visto que o cerne da estória é a evolução e a luta daqueles personagens. Mas é preciso dar destaque para o desfecho, repleto de ação, tensão e adrenalina

O saldo final foi positivo e me arrependo de não ter lido O Iluminado até o final por causa da minha experiência com o filme. Apesar de ter gostado, não considero que esta seja a melhor obra de sua autoria, mas um bom livro. E confesso que estou curioso para conferir Doutor Sono exclusivamente por causa de Danny, um dos melhores personagens criado por King. 

Após a leitura, resolvi rever a adaptação dirigida por Stanley Kubrick. E apesar do filme não ter sido aprovado por King, ainda reputo-o como um dos melhores filmes de terror que já assisti. Porém, se comparado com o livro, fiquei incomodado ao ver que a complexidade de Jack Torrance se perdeu, sendo que sua evolução é muito abrupta (o que, até certo ponto, é justificável considerando a limitação de tempo imposta por este formato). E, mais uma vez, não compreendi o final ambíguo e confuso proposto por Kubrick.

Não deixe de conferir a resenha de Doutor Sono, a inesperada continuação de O Iluminado.

Título: O Iluminado
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 463
Editora: Suma de Letra

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