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domingo, 14 de janeiro de 2018

RESENHA: O Labirinto dos Espíritos

O Labirinto dos Espíritos - Carlos Ruiz Zafón - O Cemitério dos Livros Esquecidos - livro 4
O que pensar quando aquela série que você adora e que você julgava ter terminado no terceiro livro (que, por sua vez, te deixou órfã) anuncia que vem mais um volume pela frente? Foi isso que aconteceu comigo quando a editora Suma de Letras anunciou que estava prestes a lançar “O Labirinto dos Espíritos”, quarto (e, agora sim, último) livro da série “O Cemitério dos Livros Esquecidos” do maravilhoso Carlos Ruiz Zafón.

Quando o Ministro Maurício Valls desaparece, Alicia Gris é chamada para investigar o caso. Para isso, ela precisará retornar para Barcelona, a cidade onde perdeu seus pais durante a guerra e onde ganhou um ferimento que lhe causa uma dor excruciante diariamente. É lá que o destino dela irá cruzar novamente com o de Fermín Romero de Torres (que há anos lhe salvou a vida) e com o da família Sempere, em especial Daniel que tem quase certeza que Valls é o responsável pela morte de sua mãe, a mulher cujo rosto ele sofre tanto por não lembrar.

Mesmo se tratando de uma série, todos os livros do “Cemitério dos Livros Esquecidos” podem ser lidos de maneira independente e em qualquer ordem, já que as quatro histórias se sustentam por elas mesmas. Para quem leu todos os livros (seja na ordem cronológica da história ou na de lançamento), os fios vão se cruzando neste último livro, o que, claro, torna a experiência ainda mais gratificante e permite apreciar a obra em sua totalidade.

Mas mais do que personagens ou que um cenário, para mim, o que realmente liga os quatro livros é a poesia da narrativa de Zafón. Ninguém escreve como ele. Ninguém faz sons, imagens e sensações ecoarem como ele. Seu texto tem atmosfera e evoca algo em cada frase. Mas, por alguma razão, não senti isso tão intensamente neste livro, porém desconfio que há uma intenção por trás disso (não revelarei minha teoria para não dar spoilers).

“Você não percebe o vazio em que deixou o tempo passar até o momento em que vive de verdade. Às vezes a vida é apenas um instante, um dia, uma semana ou um mês, não os dias desperdiçados. Você sabe que está vivo porque dói, porque de repente tudo é importante e porque, quando esse breve momento se acaba, o resto da sua existência se transforma em uma lembrança à qual você tenta em vão voltar enquanto tiver alento no corpo.” (ZAFÓN, 2017, 566)

É claro que, por melhor que seja uma narrativa, uma boa história precisa de bons protagonistas e isso Zafón entrega para o leitor na forma de uma coleção dos mais adoráveis personagens. Não bastasse ter os inesquecíveis Daniel Sempre, seu pai, o hilário Fermín, Beatriz e Bernarda, Zafón dá vida neste livro a Vargas (que irá dividir a missão com Alicia), o misterioso Leandro (mentor de Alicia) e Fernandito (eterno admirador de Alicia), todos carismáticos, cada um do seu jeito. Mas é Alicia quem rouba a cena. Que personagem maravilhosa! Forte, cheia de defeitos e traumas. É ela quem dá forma a “O Labirinto dos Espíritos” e faz as vezes de protagonista. Inclusive, acho admirável que, com tantos personagens que os leitores aprenderam a amar ao longo dos livros anteriores, Zafón tenha a coragem de os deixar de lado por um considerável volume do livro para dar vez a uma personagem nova. Quanto aos velhos conhecidos, Julian Caráx e David Martín marcam forte presença e até mesmo o perverso inspetor Fumero é mencionado.

É preciso dizer também que em alguns momentos a história poderia ter sido desenvolvida mais rapidamente, mas talvez o autor tenha optado por não fazer isso pelas diversas pontas que se criam (afinal, fica claro que também é um objetivo deste livro esclarecer algumas pequenas coisas dos livros anteriores – entre elas os acontecimentos do frustrante “O Jogo do Anjo”). Mas é inegável que a trama é ampla e satisfaz o leitor ao final.

Eu diria ainda que, de todos os livros da série, “O Labirinto dos Espíritos” é o que menos se vale do tempero característico de Zafón (drama + amizade + amor + suspense + mistério) e mergulha mais fundo no suspense. “O que terá acontecido com Valls?” é apenas uma das perguntas que o leitor se faz durante a jornada. Conforme a trama se desenvolve, vemos que ela tem inúmeras subtramas, uma mais enigmática do que a outra.

Mas a série recebe seu título por uma razão e não há nada capaz de encher (e marejar) os olhos de qualquer apaixonado por livros como a visão do Cemitério dos Livros Esquecidos. As cenas que o envolvem são sempre inesquecíveis. As palavras que o descrevem sempre tocam fundo.

Reencontrar personagens que você já aprendeu a amar é sempre uma emoção. Em “O Labirinto dos Espíritos” houveram momentos em que foi bem difícil deixar o livro de lado, em especial nas últimas 200 páginas. Em especial mesmo na última, que nos obriga a encarar a despedida e de um jeito que nos faz querer voltar para o primeiro livro e começar tudo de novo. É com um sorriso no rosto que coloco o livro na minha estante, ao lado dos outros três. Uma jornada inesquecível.

Título: O Labirinto dos Espíritos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
N° de páginas: 679
Editora: Suma de Letras
Exemplar cedido pela editora

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domingo, 26 de junho de 2016

Quem vem para o jantar? #25

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Não havia tempo de comprar um livro novo, mas o tempo que havia era mais do que suficiente para me deixar entediada. Ali, naquela sala de aeroporto, depois que a leitura que eu tinha em mãos havia acabado e abrir a mala estava fora de cogitação (tinha sido mesmo uma ideia brilhante guardar os outros livros embaixo de tudo), não me restava mais nada a fazer a não ser observar o que acontecia ao meu redor. Nada de interessante, claro. Desde quando acontece algo interessante em uma situação como essa?

Ainda assim encontrei um ponto de interesse. Separado de mim por um única cadeira vazia, um homem lia “A Sombra do Vento”, um dos meus livros favoritos, e eu fiquei imediatamente curiosa para saber em que trecho do livro ele estava. Será que estava apreciando a leitura tanto quanto eu? É claro que eu não faria nenhuma dessas perguntas (não sou do tipo que puxa conversa com estranhos em salas de aeroportos, por melhor que sejam os seus gostos literários), mas o mais estranho era que eu tinha certeza de já ter visto aquele homem antes. Quem era ele? Obviamente eu não podia ficar encarando, mas eu tinha certeza que conhecia aquele rosto. Bom, pelo menos a brincadeira de reavivar a memória me distraída do tédio da situação.

Foi então que um outro homem chegou e sentou na cadeira que me separava do tal leitor, iniciando no mesmo instante uma conversa animada não comigo, mas com ele. Acho que parei de respirar. Para o meu espanto, ali, sentado ao meu lado, estava ninguém mais, ninguém menos que Carlos Ruiz Zafón! E não era para menos o ânimo da conversa, afinal, ele estava falando com Patrick Modiano! É claro! Por isso aquele rosto me era tão familiar. Mas que espécie de leitora eu sou para não reconhecer que estou ao lado de Patrick Modiano? Eu não sabia se saia correndo para comprar livros para eles autografarem ou de vergonha. Achei que era melhor me acalmar e ouvir a conversa.

- Estou encantado com a poesia das suas palavras – dizia Modiano - Você tem uma maneira fascinante de contar histórias. E que história! Há tantos gêneros aqui que eu nem saberia classificar o livro.
- E que importância têm as classificações?
- Você tem toda a razão. E me agrada muito essa mistura de aventura com drama, de amor e amizade. E, claro, o mistério.
- Acho importante ter uma pitada de mistério. Não necessariamente algo sobrenatural como, por vezes, acontece nas minhas histórias, mas misterioso de alguma forma. Como os seus personagens que sempre desconhecem alguma coisa, estão em busca de algo. Nos seus livros, tudo acontece de maneira tão orgânica e nem sempre sabemos para onde estamos indo. Acho fascinante. E por falar em “para onde estamos indo”, para onde você está indo?
- Para Barcelona e se você quer saber, a culpa é toda sua.
- É mesmo? – perguntou Zafón rindo, orgulhoso – Por quê?
- Impossível não ficar com vontade de conhecer os lugares que você menciona. Você faz tudo parecer tão mágico e encantador que programei essa viagem no instante em que terminei de ler “O Jogo do Anjo”.

A essas alturas eu tinha vontade de abraçar Modiano por dizer a Zafón tudo aquilo que eu queria dizer.

- Mas então você vai gostar de saber que eu estou indo para a sua Paris.
- Não diga! Que coincidência nos encontrarmos assim: um indo para a cidade do outro.
- Mais coincidência ainda é que eu também decidi viajar graças aos seus livros.

Para a minha completa decepção, o meu voo foi chamado. E eu nem havia conseguido criar coragem de falar com os autores. A última coisa que ouvi antes de levantar, foi Modiano perguntar qual havia sido a intenção de Zafón com “O Jogo do Anjo”.

- Espero que não se ofenda, mas eu não entendi aquele livro.
- Ofensa? Acho que eu deveria considerar uma honra confundir a cabeça de um prêmio Nobel – respondeu Zafón, bem-humorado - E acredite, você não é o primeiro a me dizer isso. Mas proponho o seguinte: meu voo está atrasado, de forma que tenho tempo de sobra. Se você também tiver e me pagar um jantar, conto para você.

Quase desisti da minha viagem. Lá se ia a minha oportunidade de, finalmente, descobrir o que passava pela cabeça de Zafón quando escreveu o único dos seus livros que me decepcionou e que, francamente, até hoje não entendi. Andei alguns passos em direção à fila e desisti. Haveria outros voos, mas aquela era uma oportunidade única! Minha curiosidade literária falou mais alto e fui correndo atrás dos autores. Agora me restava descobrir que lugar eles haviam escolhido para o seu jantar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

RESENHA: As Luzes de Setembro

“Às vezes acho que todos se foram para algum lugar distante de Baía Azul e que só eu fiquei, preso no tempo, esperando em vão que a maré púrpura de setembro me devolva algo mais do que recordações. (...) O mar tem dessas coisas, devolve tudo depois de um tempo, especialmente as lembranças.” (ZAFÓN, 2013, p.10)

Demorei a começar a ler a Trilogia da Névoa, pois estava determinada a ler os três livros um próximo do outro para não esquecer nenhum detalhe. Esperei que todos fossem lançados, esperei que comprasse todos e então, ao concluir a leitura de “O Palácio da Meia-Noite”, percebi que “As Luzes de Setembro”, livro que encerra a trilogia, era o único de Carlos Ruiz Zafón que eu ainda não havia lido. Não estando preparada para me deparar com a perspectiva de não ter nenhum Zafón inédito, protelei a leitura. Tendo finalizado, fica a certeza de que, não importa o público para que escreva, Carlos Ruiz Zafón é um autor especial.

Depois da morte do marido, Simone Sauvelle e seus filhos, Irene e Dorian, enfrentam sérias dificuldades financeiras. Mas tudo muda quando uma perspectiva de trabalho surge e a família se muda de Paris para o litoral da Normandia. Chegando lá, Simone é contratada como governanta por Lazarus Jann, um solitário fabricante de brinquedos, cuja esposa padece de uma doença terrível há anos. As criações de Lazarus são estranhas, mas o homem é simpático e logo desenvolve uma amizade com a família, especialmente com Simone. Irene, por sua vez, se aproxima de Ismael, um jovem pescador, e os dois se apaixonam. Mas os bons tempos tem seus dias contados já que uma criatura maligna sonda a casa e seus habitantes.

Li “As Luzes de Setembro” tão rápido que agora que sento para escrever essa resenha sinto que não passei tempo suficiente naquele mundo, na companhia daqueles personagens. Isso tudo porque Zafón, mesmo com poucas palavras, consegue transportar o leitor para uma atmosfera completamente diferente. Recuamos no tempo – a história se passa em 1937 – somos levados para uma ilha, uma floresta, uma casa misteriosa, nos deparamos com bonecos medonhos e criaturas sobrenaturais e acreditamos em tudo.

O que mais me causa admiração é ver como o autor consegue empregar cada uma das características marcantes de seu estilo mesmo ao escrever para um público juvenil. Mesmo que as histórias adultas sejam mais emocionantes e carregadas de maior profundidade, enquanto as juvenis tenham uma abordagem mais aventureira, os elementos em que giram em torno são os mesmos: amizade, amor, mistério com uma pitada de sobrenatural e todos envoltos por sua narrativa belíssima. A diferença está no tratamento que o autor dá para esses elementos.

Por se tratar de um livro juvenil, as histórias dos personagens servem à aventura. Em primeiro lugar temos o mistério que cerca Lazarus e a misteriosa sombra libertada do frasco. Em segundo plano temos o romance entre Irene e Ismael, depois a história de Simone e, por último, a história do esperto, porém ainda muito jovem, Dorian. Mesmo não garantindo o mesmo nível de desenvolvimento que outros personagens do autor, eles servem ao propósito de um livro juvenil que quer, acima de tudo, entreter, mas sem por isso deixarem de ser cativantes.

Ao ler “As Luzes de Setembro” me senti da mesma maneira que ao ler “O Príncipe da Névoa”, primeiro livro da trilogia, e minha conclusão é que mesmo sendo voltados para um público mais jovem, é difícil imaginar um adulto que não adoraria ler essas aventuras, da mesma forma que é difícil não desejar ter tido a chance de fazê-lo aos 12-13 anos. Minha leitura aconteceu de um dia para o outro. Fiquei horas fechada no meu quarto, sem ter a menor vontade de interromper a aventura, querendo apenas acompanhar aqueles personagens e desvendar os mistérios junto deles.

Mesmo compondo uma trilogia, “O Príncipe da Névoa”, “O Palácio da Meia-Noite” e “As Luzes de Setembro” podem ser lidos foram de ordem, já que uma história é independente da outra, passando até em locais diferentes e sem seguir uma ordem cronológica – a primeira se passa em 1943, a segunda em 1932 e a terceira em 1937.

“As Luzes de Setembro” é uma aventura deliciosa e misteriosa para ser lida sem largar. Vale a pena e, para quem já leu todos os outros livros do autor, deixa a saudade do efeito que suas palavras provocam.

Título: As Luzes de Setembro
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 231
Editora: Suma de Letras

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

RESENHA: O Palácio da Meia-Noite

“Entre ruínas e recordações, aquele lugar emanava uma áurea de magia e ilusão que só pode sobreviver na memória nebulosa dos primeiros anos de nossas vidas.” (ZAFÓN, 2013, p.77)

É sempre com muita expectativa que leio um livro de Carlos Ruiz Zafón. Gosto tanto do autor, que espaço as leituras (para manter o máximo de livros inéditos possível) e escolho com carinho o melhor momento de fazê-las para que eu possa mergulhar completamente nas atmosferas maravilhosas que o autor cria. Com “O Palácio da Meia-Noite” alguma coisa da magia que se quebrou, embora eu não saiba precisar o quê.

Ben cresceu em um orfanato e durante esse tempo ele seus amigos criaram uma sociedade secreta - batizada de Chowbar Society – que se reúne sempre no Palácio da Meia-Noite. Agora que estão prestes a completar 16 anos, os amigos precisam se separar e deixar para trás a vida que levavam pois a regra da instituição é que, ao atingir essa idade, eles devem ser soltos ao mundo. Porém, antes disso, Ben vai descobrir muito sobre suas origens. Vai descobrir, por exemplo, que tem uma irmã gêmea (Sheere) e que os dois foram separados ainda bebês por sua avó, que criou a menina em uma vida de constantes viagens pelo mundo e deixou-o no orfanato. Isso porque ambos são alvos de um espírito maligno responsável pela morte de sua mãe e por muitos outros terrores.

“O Palácio da Meia-Noite” é considerado o segundo livro da Trilogia da Névoa – a trilogia infanto-juvenil de Zafón – embora o único cruzamento entre suas histórias resida no fato de serem protagonizadas por adolescentes. Devido a isso, os livros podem ser lidos em qualquer ordem sem prejudicar o envolvimento do leitor.

A história tem todos os elementos da tradicional mistura que caracteriza Zafón – uma narrativa belíssima que envolve os temas amizade, mistério, sobrenatural e aventura – e apresenta uma união de personagens diferentes porém sempre carismáticos. Todos os membros da Chowbar Society são encantadores e fazem com que o leitor torça para que seu futuro seja aquele que eles sonham, mas Ben é quem mais se destacou para mim. O protagonista consegue reunir uma gama de qualidades que o fazem corajoso, divertido e altruísta, sem por isso se tornar idealizado a ponto de soar irreal.

Com um clima constante de aventura (que criança não quis fazer parte de um clube secreto?) a história se vale da força que só as amizades da infância e adolescência podem ter para cativar o leitor e pede que ele se deixe guiar pela imaginação para aceitar como verdadeiro o lado fantástico – e sombrio - da trama.

A narrativa se divide em duas: primeira pessoa, através da visão de Ian (um dos amigos de Ben) que olha para os acontecimentos da adolescência com olhos de adulto; e terceira pessoa, quando os meninos tinham 16 anos e viveram a aventura que é o cerne do livro, sendo, portanto, a narrativa dominante.

Me chama a atenção nas histórias de Zafón como, mesmo escrevendo para o público infanto-juvenil, o autor não se preocupa em entregar finais felizes e sim boas histórias, que envolvem, entretêm e encantam.

Apesar de encontrar em “O Palácio da Meia-Noite” tantos elementos que adoro nas obras de Zafón e observar o autor manipulá-los com habilidade como é do seu feitio, por alguma razão não me senti tão tocada, nem me vi tão envolvida como de costume, pelo livro. Não sendo capaz de apontar erros ou falhas, arriscaria dizer que isso aconteceu por ser um livro voltado para o público infanto-juvenil, mas isso não me parece correto já que li tanto “O Príncipe da Névoa” quanto “Marina” e apreciei muito ambos. É curioso também que as três primeiras páginas desta história tenham me fisgado ainda mais que as dos livros mencionados, mas que depois ele não tenha mantido o mesmo grau de envolvimento. Ressalto, porém, que isso não significa que eu não tenha gostado de “O Palácio da Meia-Noite”, apenas que não está entre os livros do autor que mais me marcaram.

Título: O Palácio da Meia-Noite
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 271
Editora: Suma de Letras

domingo, 3 de agosto de 2014

RESENHA: O Príncipe da Névoa

Trilogia da Névoa O Príncipe da Névoa Carlos Ruiz Zafón
O Príncipe da Névoa” foi o primeiro livro escrito pelo maravilhoso Carlos Ruiz Zafón e já dá indícios suficientes de que este é um escritor para se amar.

O ano é 1943. Max tem então 13 anos quando sua família decide se mudar para uma pequena cidade do litoral para fugir da assombrosa presença da guerra. Ao chegar lá, o menino se depara com uma série de elementos peculiares, como o relógio da estação que anda para trás e as estátuas no jardim perto de sua nova casa. Em um de seus primeiros passeios pelo vilarejo, Max faz um novo amigo, Roland, que conta a ele a respeito de um barco de cujo naufrágio, ocorrido há muitos anos, sobreviveu um único homem: o seu avô, que construiu o farol e desde então é responsável pela sua manutenção. Além de apresentar Max às maravilhas das aventuras subaquáticas e de aproximá-lo de sua irmã mais velha, Alicia - a quem o menino sempre viu como uma incógnita -, Roland também trilha o caminho que leva Max a descobrir sobre um ser misterioso e maligno: o Príncipe da Névoa.

Para quem leu os livros posteriores do autor  em especial “A Sombra do Vento”  fica claro que sua narrativa ainda amadureceria nos anos e obras que se seguiram a sua estréia, mas é impossível não se deixar levar para o mundo misterioso e encantador que o autor cria com suas palavras nessas meras 180 páginas.

Chamou a minha atenção o quanto esta é uma história concisa e ampla, ao mesmo tempo. Usando de poucos personagens, o autor desenvolve cada um de forma a cumprir um propósito claro dentro da narrativa e opta por criar um núcleo fechado de acontecimentos de forma que a trama não se dispersa em nenhum momento, acontecendo o tempo inteiro, com todos os envolvidos. Porém isso, de forma alguma, limita as camadas da trama. Como sempre quando se trata de Zafón, a história consegue mesclar amizade, amor e mistérios, sendo pincelada por toques de magia e elementos assustadores. Diga-se de passagem que o autor tem um talento único para criar seres misteriosos.

“Quando chovia forte, Max tinha a impressão de que o tempo parava. Era como uma trégua, na qual todos podiam largar o que estavam fazendo no momento e simplesmente chegar à janela para contemplar, durante horas a fio, o espetáculo daquela cortina infinita de lágrimas do céu.” (ZAFÓN, 2013, p. 44)

Narrado em terceira pessoa, “O Príncipe da Névoa” transita com fluidez pelos pontos de vista dos personagens principais, nos permitindo acompanhar suas aventuras e também seu amadurecimento, sem nunca perder o foco de que se trata de personagens adolescentes, algo que fica claro em cada linha.

Além da fluidez da narrativa e do número reduzido de páginas, existem inúmeros outros fatores que fazem com o que o livro seja lido rapidamente (eu li em duas “sentadas”). O principal deles é a maneira como Zafón consegue sugar o leitor para dentro do mundo que cria e da história que conta. A partir do momento em que se começa a ler é preciso acompanhar as pegadas daqueles personagens pela areia e é preciso encontrar as respostas junto com eles. Parar se torna quase uma impossibilidade. Algo que se faz - quando se faz - a contragosto.

É claro que, por se tratar de um livro infanto-juvenil, “O Príncipe da Névoa” não causa o mesmo impacto ou a mesma emoção dos livros adultos do autor, mas nem por isso deixa de proporcionar o mesmo deleite. Não consigo imaginar um adulto que não se deliciaria com essa história, assim como não posso deixar de imaginar o prazer que eu mesma teria sentido ao viver essa aventura aos meus 12 anos. Por isso, acho válido mencionar um comentário que o autor faz no prefácio que compõe esta edição no qual afirma nunca ter lido os livros rotulados como “juvenis” quando tinha esta idade e sua crença de que um livro para jovens deve ser tão bom quanto um livro para adultos, tendo feito de “O Príncipe da Névoa” um livro que ele mesmo teria gostado de ler aos 13 anos, mas também aos 23, 43 ou 83. Não consigo imaginar como Zafón poderia ter sido melhor sucedido.

O Príncipe da Névoa” é o primeiro livro da Trilogia da Névoa, então não deixe de conferir as resenhas dos livros seguintes: “O Palácio da Meia-Noite” e “As Luzes de Setembro”.

Título: O Príncipe da Névoa
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 180
Editora: Suma de Letras


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sábado, 18 de janeiro de 2014

PROMOÇÃO ZÁFON: Trilogia da Névoa


Quem já teve a oportunidade de ler Carlos Ruiz Zafón, sem dúvida, se apaixonou pelo autor, porque ler apenas um de seus livros é o suficiente para querer ler todos. E quem ainda não leu, não sabe o que está perdendo. É pensando nisso que o Além da Contracapa vai dar para um sortudo a Trilogia da Névoa completa.

Regulamento:

A promoção terá início no dia 18 de janeiro e término no dia 09 de fevereiro.


Para participar, basta preencher o formulário abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail. É obrigatório seguir o blog no Google Friend Connect e ter um endereço de entrega no Brasil.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog no twitter. 

O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados. Decorrido o prazo sem manifestação do vencedor, novo sorteio será realizado.

O vencedor ganhará um exemplar dos seguintes livros:
- O Príncipe da Névoa;
- O Palácio da Meia-Noite;
- As Luzes de Setembro. 

Os livros serão enviados pelo blog no prazo de trinta dias úteis

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Especial de Fim de Ano: Expectativa Literária 2014



Para encerrar o Especial de Fim de Ano, falamos um pouco sobre quais são os nossos livros mais desejados para 2014. Tivemos alguns problemas técnicos com a máquina, e por isso tivemos de trocar de câmera no final do vídeo (é o nosso segundo vídeo..ainda estamos pegando o jeito rsrs)

Esperamos que tenham gostado desse especial e nos digam quais são as maiores expectativas de vocês para 2014 e se assim como nós estão ansiosos para ler alguns dos livros que citamos. E não esqueçam de inscrever-se em nosso canal no YouTube.



Resenhas Citadas:

Eu Sou o Número Quatro - Pittacus Lore
O Poder dos Seis - Pittacus Lore
Marilyn e JFK - François Forestier
Branca Como o Leite, Vermelha Como o Sangue - Alessandro D'avenia
Criança 44 - Tom Rob Smith
Discurso Secreto - Tom Rob Smith
Garota Exemplar - Gillian Flynn
A Sombra do Vento - Carlos Ruis Zafón
Estrela do Diabo - Jo Nesbo
O Redentor - Jo Nesbo
Sob a Redoma - Stephen King

Outros posts citados:
Retrospectiva Literária: Melhores de 2012 - Lista da Mari
Lista de Releitura: Garganta Vermelha - Jo Nesbo
Conversa de Contracapa: Adaptação de Sob a Redoma
Retrospectiva Literária: Melhores de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

RESENHA: O Prisioneiro do Céu

“Há épocas e lugares em que ser ninguém é muito mais digno do que ser alguém.” (ZAFÓN, pag. 135, 2012)

Sempre acho extremamente difícil resenhar livros de Carlos Ruiz Zafón porque a não ser que você já conheça o autor, nada do que eu diga fará jus ao escritor maravilhoso que ele é.

Às vésperas do Natal, o movimento na livraria Sempere e Filhos é mínimo e Daniel está cuidando do estabelecimento sozinho quando um estranho mancando, vestindo roupas velhas e com uma mão falsa aparece e compra um dos livros mais caros disponíveis: uma cópia valiosa de O Conde de Monte Cristo. Alegando que o livro é um presente, o estranho escreve nele uma dedicatória e, para a surpresa de Daniel, a dedicatória é para seu grande amigo Fermín. O surgimento desse fantasma do passado obriga Fermín a revelar para Daniel segredos que havia mantido guardados durante anos a fim de protegê-lo e é assim que Daniel se verá em frente a uma descoberta que poderá mudar os rumos de sua vida e até sua própria essência.

“O Prisioneiro do Céu” é o terceiro volume da inesquecível e primorosa trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos, composta ainda por “A Sombra do Vento” (RESENHA) e “O Jogo do Anjo” (RESENHA), mas nada impede que o leitor confira este livro antes dos outros.

A habilidade de Zafón de contar uma história jamais poderia me surpreender, mas “O Prisioneiro do Céu” mostra que o autor é capaz de criar tramas independentes maravilhosas e ainda amarrá-las de um jeito magnífico, admirável e que faz quem já havia gostado delas, gostar ainda mais. O livro expõe lacunas deixadas pelos outros dois títulos da trilogia (lacunas essas que antes nem haviam ficado evidentes), de forma que findada a leitura você vê que as histórias são ainda mais ricas do que havia imaginado.

A narrativa do autor, além de ser essencialmente bela e recheada de figuras de linguagem, é ágil e faz com que não se queira largar o livro que é todo composto por capítulos curtos. Havia momentos em que eu interrompia a leitura na esperança de que o livro se prolongasse, outros em que devorei dezenas de páginas sem nem perceber, pois era impossível me manter afastada daquele mundo.

Outro ponto alto dos livros do autor é a amplitude das histórias. Acho dificílimo classificar seus livros e com “O Prisioneiro do Céu” não é diferente, pois Zafón consegue mesclar mistério, amizade, histórias familiares e de amor e fazer de todos esses elementos uma história coesa e repleta de personagens apaixonantes no meio de personagens detestáveis. Vilão ou mocinho, todos os que pisam na Barcelona de Zafón tem potencial para marcar o leitor. Para mim, o grande destaque da história é o leal e divertidíssimo Fermín (que já havia me conquistado em “A Sombra do Vento”) que arranca risadas quase toda a vez que aparece.

Além da mescla de elementos, o autor conduz a história em dois momentos distintos: a Barcelona devastada pela Guerra Civil e a Barcelona já recuperada quase vinte anos depois. Dessa forma, ao mesmo tempo em que leva o leitor a passear por livrarias e acompanhar os preparativos de um casamento, também o leva aos mais cruéis e tristes corredores de prisão, conduzindo-o com habilidade de um tempo ao outro, de uma vida a outra.

Dos livros que compõe a trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos, “O Prisioneiro do Céu” é o mais dependente dos outros, mas ainda assim pode ser lido sem que se tenha conhecimento prévio das outras histórias. Caso você já tenha lido “A Sombra do Vento” e/ou “O Jogo do Anjo”, a sensação é a de reencontrar velhos amigos. Caso não tenha, você vai se apaixonar por esses personagens e pela Barcelona que figura nessas páginas e vai querer mais. Eu, particularmente, recomendo que os livros sejam lidos na ordem em que foram escritos (que vem a ser justamente a ordem que eu li), mesmo que a ordem cronológica das histórias não seja exatamente essa. Na verdade, eu me atreveria a ir adiante e recomendar que depois de ler dessa forma, você relesse “O Jogo do Anjo” e depois encerrasse com chave de ouro relendo “A Sombra do Vento”. Acredite, isso é algo que eu pretendo fazer e se você já leu qualquer coisa de Zafón, entende o porquê disso.

Com apenas 246 páginas, “O Prisioneiro do Céu” consegue fazer o leitor sorrir, torcer, sentir alegria e tristeza tudo ao mesmo tempo. Um livro que toca, emociona e deixa o gosto agridoce das melhores despedidas: aquelas que nos fazem querer mais.


Título: O Prisioneiro do Céu
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 246
Editora: Suma de Letras

domingo, 24 de fevereiro de 2013

RESENHA: O Jogo do Anjo

“Lentamente, a amargura e a raiva daquele dia, daqueles anos, foram se apagando e fui envolvido por uma cálida escuridão cheia de vozes e mãos que me esperavam. Desejei perder-me nela como nunca tinha desejado nada na vida, mas algo me puxou e uma punhalada de luz e dor me arrancou daquele sonho prazeroso que prometia não ter fim. Ainda não – sussurrou a voz -, ainda não.” (ZAFÓN, 2011, pag.162)

Eu preciso confessar de início: essa é uma das resenhas mais difíceis que já fiz. É muito complicado fazer resenha de um livro que você detestou com todas as suas forças. Mais complicado ainda, de um livro que você amou e quer se derreter em elogios. Agora, de um livro que você não sabe exatamente o que achou, bem, devo dizer que é uma tarefa ingrata. Para quem leu as minhas resenhas de “Marina” e “A Sombra do Vento” sabe que eu adoro o estilo de Zafón. A habilidade do autor de transcender um gênero literário, misturando tantos elementos diferentes (como romance, amizade, mistério, e até mesmo o sobrenatural) com sua narrativa quase poética é fascinante para mim. Anteriormente, até arrisquei dizer que devido a esta habilidade Zafón jamais poderia escrever um livro ruim. Porque mesmo que a história não fosse boa sua narrativa compensaria. De fato, após ler “O Jogo do Anjo” devo reconhecer que mesmo com uma história não tão interessante o autor ainda consegue tornar o livro muito fácil de ler. Mas, aproveitando a poesia que Zafón inspira, eu diria que uma luz se apagou sobre o autor quando ele escreveu este livro.

David Martín é um escritor solitário que recebe uma curiosa proposta de trabalho de um editor misterioso. Tentado pelo dinheiro, ele aceita o trabalho, se muda para uma antiga mansão pela qual sempre fora fascinado, e acaba se envolvendo em uma história antiga e perigosa que pode mudar sua vida. Em seu caminho estão ainda Isabela, um protótipo de assistente e aspirante a escritora; Cristina, a mulher que ele ama; Pedro Vidal, um escritor famoso; além de Sempere pai - dono da livraria, grande amigo de Martín e seu bilhete de passagem para o maravilhoso Cemitério dos Livros Esquecidos – e Sempere filho.

Me parece que em todas as pontas do livro faltou algo: Martín não é um protagonista tão carismático como costumamos encontrar nas páginas por Zafón escritas, nem o mistério que cerca o livro tão intrigante. Além disso, os relacionamentos, sempre tão cativantes, não parecem ter tanta força. Não acho que devo ficar comparando “O Jogo do Anjo” a outros livros do autor, especialmente “A Sombra do Vento”, mas me parece inevitável, até por ambos os livros fazerem parte da trilogia do Cemitério dos Livros Esquecidos - completada por “O Prisioneiro do Céu” - e por terem sido essas experiências prévias que fizeram com que eu me decepcionasse.

O destaque dos personagens vai para Isabela. Uma mulher que se revela forte, leal e mais tarde, para nós leitores, quase uma velha conhecida.

Antes de começar a leitura, eu tinha expectativas contraditórias com relação ao livro: de um lado eram altas, por gostar de Zafón, e do outro, baixas porque já tinha ouvido dizer que o livro era ruim e estranho. Acho que eu esperava poder afirmar uma coisa ou outra, mas não consegui. Realmente “O Jogo do Anjo” apresenta um desfecho curioso que, embora eu tenha apreciado a sua – vamos chamar de – poesia, me incomodou. Eu queria mais explicações. Ou queria que, pelo menos, tivesse ficado claro desde o início que se tratava de uma história cujas explicações ficariam no nível – poético, digamos novamente – que ficaram.

“O Jogo do Anjo” não me desencantou com Zafón, mas recomendo que o livro seja lido apenas por aqueles que já leram e gostam do autor porque essa não deve, em hipótese alguma, ser a primeira impressão que se tem dele. Não chego a dizer que é ruim, mas está abaixo do seu talento de cativar e emocionar.


Título: O Jogo do Anjo
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 613
Editora: Ponto de Leitura

sábado, 12 de janeiro de 2013

Expectativas Literárias 2013: Lista da Mari

Escolher só cinco livros para essa lista foi muito (muito!) difícil. Evitei incluir nela livros de autores como Agatha Christie, Raymond Chandler, Georges Simenon e Michael Connelly, que sempre estão na minha lista, e também de Jo Nesbo, Lawrence Block e Val McDermid que descobri mais recentemente e também me conquistaram, me fazendo querer ler todos os seus livros que surgirem na minha frente. Assim, a lista ficou sendo a seguinte:

A Janela Quebrada – Jeffery Deaver

Gosto muito de Deaver e faz tempo que não leio nenhum de seus livros que são policiais, mas com uma pitada forense que os torna únicos. Essa é a oitava aventura da dupla Lyncon Rhyme e Amelia Sachs que eu adoro e eu mal posso esperar para conferir.

Morte Súbita – J.K. Rowling

Não é pela sinopse e sim pelo nome da autora. Seja lá o que for que J.K. fez nesse livro, não acredito que a mente que criou um universo tão rico quanto o de Harry Potter seja capaz de um livro ruim.


 A Zona Morta – Stephen King

A Zona Morta não é um livro do terror do mestre do terror. É um suspense com uma pitada de ficção cientifica, gênero que nunca me atraiu, mas que esse ano aprendi a enxergar com outros olhos e apreciar. PS.: Minha leitura do momento é “Sob a Redoma”, o que está aumentando consideravelmente minha expectativa sobre “A Zona Morta”.


O Prisioneiro do Céu – Carlos Ruiz Zafón

Livro que encerra a trilogia do cemitério dos livros esquecidos. Não preciso dizer mais nada, certo?









O Estranho Mundo de Tim Burton – Paul A. Woods

Eu adoro os filmes de Tim Burton. Adoro a maneira como o diretor mistura a comédia e o horror e de alguma forma consegue que suas bizarrices sejam artisticamente belas e muitas vezes de uma sensibilidade tocante. Lógico que quero esse livro que não é uma biografia, mas sim uma analise da obra do diretor.


Menção Honrosa: Vira-vira Ernest Hemingway: O Velho e o Mar / As Neves de Kilimanjaro

Ernest Hemingway é, possivelmente, um dos maiores escritores que já existiu e eu admiro imensamente sua habilidade de dizer tanto e ser tão visual com tão poucas palavras. Já li alguns de seus contos, mas romance mesmo só li um (“Adeus às Armas”). Há tempos tenho vontade de adquirir essa edição vira-vira que conta com um de seus títulos mais famosos e ainda uma coletânea de contos, mas nunca mais a vi disponível. É provável que eu acabe comprando os títulos separados, mas adoraria encontrar essa edição.



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Retrospectiva Literária 2012: Lista da Mari

Depois de superar alguns problemas técnicos, finalmente posso compartilhar com vocês as minhas melhores leituras de 2012. E que bom rever a minha lista de leituras do ano e constatar que o saldo dela é positivo. No geral, esse foi um ano de boas leituras e de descoberta de ótimos autores dos quais lerei sem medo todos os títulos que passarem pela minha frente (como exemplo cito Lawrence Block e Tom Rob Smith). Esse também foi um ano de muitas (boas) surpresas literárias e é uma grande surpresa para mim constatar o quanto isso se refletiu nesta seleção. Então, sem mais delongas a lista das minhas 5 melhores leituras do ano.

Em quinto lugar: Belo Desastre - Jamie McGuire

Inicio a minha lista com o livro ame-ou-odeie (impossível ficar indiferente a ele) de Jamie McGuire. A princípio eu não pretendia incluir “Belo Desastre” nessa lista (e sim "Criança 44"), mas a verdade é que poucos livros já ficaram tão grudados na minha cabeça (mesmo nos momentos em que eu não estava lendo e até depois de ter passado da última página), como “Belo Desastre”. A história de Abby e Travis é intensa e explosiva.



Em quarto lugar: A Casa das Sete Mulheres – Letícia Wierzchowski

Apesar de todos os elogios recebidos e de achar a premissa do livro interessante, eu nunca havia sentido vontade (vontade mesmo) de ler “A Casa das Sete Mulheres”. Era mais um daqueles livros que se um dia eu lesse, eu teria lido, mas se não lesse, não teria feito falta. Como ele foi entregue nas minhas mãos (literalmente) resolvi dar uma chance e adorei cada minuto. Letícia é uma autora habilidosíssima e nos conta uma história que poderia ser enfadonha e confusa, devido aos muitos personagens, com maestria e na dosagem certa para nos fazer quase sentir parte daquela família. Maravilhoso.

Em terceiro lugar: O Poeta – Michael Connelly

Curiosamente, há apenas um livro policial nesta lista e não é qualquer policial: é um dos melhores livros que já li do gênero na vida! “O Poeta” só não é perfeito porque seu final deixa muito a desejar, mas a jornada pela qual ele nos leva é tão impecável para os padrões de um livro policial, que isso é facilmente perdoado. Eu já havia lido alguns livros de Michael Connelly antes e já gostava muito do autor, mas foi com “O Poeta” que ele me ganhou de vez.

 
Em segundo lugar: A Culpa é das Estrelas – John Green

Você quer saber o que me despertou vontade de ler “A Culpa é das Estrelas”? Pensa que foi o título? Não foi. A sinopse? Também não. O nome do autor? Não. Os (muitos, muitos) elogios da blogosfera? Não. Então o quê? Nada! Absolutamente nada. E de alguma forma “A Culpa é das Estrelas” conseguiu sair do patamar “eu não tenho a menor vontade de ler esse livro” e chegar ao “impossível deixar de incluir esse livro na minha lista de melhores do ano” Como John Green conseguiu uma coisa dessas? Eu não sei. O que sei é que me dispus a ler o livro e adorei! Uma história linda e tocante, triste sim, mas contada de forma doce e até mesmo alegre. Impossível não se apaixonar. Recomendado para todos os leitores, fãs de todos os gêneros.
Em primeiro lugar: A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Vou resumir o máximo possível, antes que eu comece a suspirar e me derreter em elogios para Zafón, e dizer simplesmente o seguinte: “A Sombra do Vento” é inesquecível. Eu desafio qualquer pessoa a ler esse livro e não se apaixonar pelo autor e não querer ler qualquer coisa assinada por ele. Amor, amizade, mistério...você encontra um pouco de tudo nessa história envolvente e belissimamente escrita. Com um livro assim tão perfeito, pequenas decepções vindas do autor (por decepções entenda “O Jogo do Anjo”, também lido esse ano – resenha em breve) são perdoáveis.

Menção honrosa: Noite Sem Fim – Agatha Christie

Não dava para encerrar a minha lista de melhores do ano sem incluir minha autora preferida. Como também era sacanagem compara-la aos demais, decidi fazer uma espécie de categoria especial “Melhor livro da Agatha Christie do ano”. Foram quatro lidos no total (Puxa! Foram poucos. Agora fiquei triste. Para 2013, serão mais. Me cobrem) e “Noite Sem Fim” merece o destaque. Estava ali - na minha cara - o tempo todo e eu, com os meus tolos palpites, não vi. Claro que eu não vi. Agatha sua malandra!







terça-feira, 18 de setembro de 2012

Quem vem para o jantar? # 13

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

A data era mais do que especial, pois comemorávamos um ano de existência, e estávamos decididos a fazer mais do um simples jantar, mas uma FESTA, com letras garrafais.

Após muita discussão a respeito de onde poderíamos realizar nosso evento, optamos por um local nada convencional para promover uma festa: a Escola de Magia de Hogwarts. Mais especificamente, o Salão Principal. O motivo é óbvio: existe algum outro lugar em que há banquetes suntuosos como os que lá são servidos?

É evidente que o jantar foi soberbo, e pudemos perceber que todos os nossos convidados estavam mais do que satisfeitos. Falando em convidados, é claro que a melhor parte foi poder compartilhar uma refeição com eles.

E quem são eles, você deve estar a se perguntar, certo? Bom, a lista de convidados ficou enorme, pois a cada momento incluíamos um novo autor ou personagem, por isso não iremos listar todos os nomes.

A primeira convidada não é surpresa alguma: J.K. Rowling — que generosamente nos emprestou o local sem cobrar sequer um galeão —, a responsável por ensinar a muitos leitores que a magia realmente existe. Basta abrir um livro e mergulhar em um novo mundo.

Sentada ao lado de Joanne, estava Agatha Christie. A Dama do Crime, que não conhecia a famosa série dos bruxos mais adoráveis que já existiram, estava fascinada conforme ouvia a autora contar o surgimento de muitas de suas ideias que não serão facilmente esquecidas pelos fãs.

- Avada Kedrava? – Agatha disse – Basta falar e apontar a varinha? Nada de venenos ou de adagas? Veja só, que prático!

Foi com curiosidade que observamos a aproximação de Agatha e Joanne, pois imaginávamos que a Dama do Crime se associaria ao seu colega de gênero, Raymond Chandler. Mas este, por sua vez, travava uma divertida conversa com Machado de Assis, cada qual com suas ironias características.

- Essa Capitu é perigosa – disse Raymond Chandler, ao descobrir sobre a fascinante personagem de Dom Casmurro – É melhor tomar cuidado com ela.


Nós não nos atrevíamos a interromper. Cada conversa era fascinante. Do outro lado da mesa Stephen King compartilhava uma jarra de hidromel com John Green - aclamado autor do livro “A Culpa é das Estrelas” - e Carlos Ruiz Zafón – de “A Sombra do Vento” - que demonstraram que é possível escrever um livro que transcenda a um gênero literário específico.

- Como vocês conseguem misturar tantos elementos diferentes em uma única história? – admirava-se o mestre do terror.

Os dois trocaram um sorriso e devolveram a gentileza:
- E como você consegue ser tão assustador? Até hoje lembro de não ser capaz de ler “O Iluminado” à noite.
- “O Iluminado”? – respondeu Green – Eu quase morri de medo de “Carrie”

A noite prolongou-se e quando já não esperávamos mais ninguém, eis que Jane Austen nos presenteia com sua presença. A razão do seu atraso: sua charrete teve dificuldade de chegar a plataforma 9 e ¾.


Sentimos falta de Ian Fleming e Nicholas Sparks que, infelizmente, não foram capazes de comparecer, pois a noite da nossa festa coincidiu com a pré-estreia de filmes baseados em seus livros. Ainda assim a noite foi gloriosa. Ao despedirem-se todos prometeram retornar no ano que vem. Os esperaremos ansiosos.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

RESENHA: A Sombra do Vento

“Enquanto percorria túneis e túneis de livros na penumbra, não pude evitar que me invadisse uma sensação de tristeza e desânimo. Não podia evitar pensar que se eu, por puro acaso, tinha descoberto todo um universo num só livro desconhecido na infinidade daquela necrópole, dezenas de milhares de outros livros ficariam inexplorados, esquecidos para sempre. Senti-me rodeado por milhares de páginas abandonadas, de universos e almas sem dono, que se fundiam em um oceano de escuridão enquanto o mundo que palpitava do lado de fora daquelas paredes perdia a memória sem perceber, dia após dia, sentindo-se mais sábio quanto mais esquecia.” (ZAFÓN, 2007, p.64)
Por anos, vi muitos comentários sobre “A Sombra do Vento” de Carlos Ruiz Zafón. Em resenhas ou indicações de pessoas conhecidas os elogios eram muitos. O livro era amado por todos os que o liam. Mas muita propaganda gera muita expectativa e isso muitas vezes resulta em decepção e esse era o meu medo quando iniciei a leitura, pois a minha expectativa era altíssima. Ainda assim posso dizer que minha satisfação ao terminar a leitura foi maior ainda.
Eu já havia me apaixonado pela narrativa de Zafón ao ler “Marina”, mas em “A Sombra do Vento” a narrativa se torna uma história a parte, tão fascinante quanto a história que o autor se propõe a contar. História essa que é absolutamente fascinante.
Daniel Sempere tinha 11 anos quando seu pai o levou ao Cemitério dos Livros Esquecidos e o instigou a escolher um daqueles velhos exemplares para cuidar por toda a vida. É assim que o menino descobre “A Sombra do Vento” e seu autor Julián Carax. Fascinado, lê o livro em uma única noite e ao tentar encontrar mais títulos do autor, descobre que alguém está queimando todos os exemplares de todas as suas obras. É assim que Daniel inicia sua investigação a respeito da vida do enigmático autor, vida essa que se mescla a sua própria. Enquanto personagens como Clara Barceló, Fermín Romero de Torres e Bea Aguilar surgem em seu caminho e fazem parte de sua jornada em busca da verdade, ele se depara com as enigmáticas figuras do passado de Carax, como Penélope Aldaya, Nuria Monfort, Miquel Moliner e oterrível inspetor Fumero.
Com um mistério surgindo após o outro, é impossível não se envolver com esses personagens. A ansiedade de encontrar respostas e descobrir o que aconteceu a eles se contradiz com a vontade de deixar o mistério perdurar porque uma coisa é certa: no íntimo, o leitor sabe que aqueles personagens não tiveram finais felizes e ele não quer se deparar com essa realidade – eu não queria. E as contradições não param por aí: eu queria ler devagar para poder apreciar cada detalhe, mas ao mesmo tempo era impossível largar o livro. A verdade é que por mais intrigada que eu estivesse com a história, não tinha pressa de descobrir as respostas porque queria aproveitar ao máximo a leitura e o universo criado por Zafón.
Com riqueza de detalhes, doses intensas de sentimento, um quê de poético e até de mágico, o autor escreve tão maravilhosamente que arrisco dizer que mesmo que a história não fosse completamente cativante, como é o caso, ele conseguiria escrever um bom livro.
“A Sombra do Vento” é uma preciosidade da literatura. Uma história de “livros malditos, do homem que os escreveu, de um personagem que fugiu das páginas de um romance para queimá-lo, de uma traição e de uma amizade perdida. É uma história de amor, de ódio e dos sonhos que moram na sombra do vento” (pag,147). A mescla perfeita entre romance, aventura e mistério. Um livro como poucos, inesquecível, e que deve ser lido por fãs de todos os gêneros.
Título: A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Nº de páginas: 399
Editora: Suma de Letras

sábado, 31 de dezembro de 2011

Especial de Final de Ano - Parte 7 (final): Top 5 Livros Mais Desejados para 2012, Lista da Mari

Para um leitor voraz, não importa quantos livros estejam em estoque, guardados na prateleira a espera de serem lidos, sempre existem muitos outros em mente para serem adquiridos. Eis a lista de cinco livros que espero ter em minha coleção no próximo ano.

5 – O Inocente – Scott Turow

Recentemente tive uma experiência bastante satisfatória com o livro “Acima de Qualquer Suspeita” de Scott Turow (veja resenha AQUI) e quando a gente gosta de um livro, nada mais natural que querer que a experiência se prolongue, certo? Por isso agora estou curiosíssima para ler “O Inocente”, que relata os eventos na vida de Rusty Sabich vinte anos depois do primeiro livro.






4 – Livros de Georges Simenon (para citar alguns títulos: “A Velha Senhora”, “Maigret e o Matador”, “O Mistério das Jóias Roubadas” e “As Férias de Maigret”)

Quem gosta de literatura policial pelo menos já ouviu falar de Simenon. Esse ano li pela primeira vez um livro do autor “A noite da encruzilhada” (veja a resenha AQUI) e não me decepcionei. Pelo contrario. Em 2012 pretendo ler outros e conhecer mais do clássico personagem Maigret.
Alias, vou aproveitar a oportunidade para demonstrar a minha indignação como consumidora: recentemente estive tentando comprar mais um livro do autor, e digo tentando porque não obtive sucesso na empreitada. Explico: Fiz algumas comprinhas literárias no site Submarino e quando a encomenda chegou, surpresa! Cadê o meu Maigret? Esclarecimento do Submarino: o livro que eu comprei e que aparecia no site como disponível para realizar tal compra, não estava disponível no estoque. Indignante, concordam? Lógico que o meu dinheiro foi devolvido, mas ainda assim fica o sentimento de que sequestraram o meu Maigret. O resgate ficará para 2012.


3 - Cemitério de Praga – Umberto Eco

Uma trama com complôs e assassinatos normalmente me atrai (em livros, deixo bem claro), mas isso aliado a mistura de personagens reais com personagens fictícios em lugares misteriosos e umas lições de história me parece muito promissor.
Nunca li Umberto Eco então não sei o que esperar do autor, mas confesso que as expectativas são altas, tanto em termos de criação literária como em termos de linguagem e narrativa. Enquanto não compro, ou ganho, “Cemitério de Praga” outro livro do autor está a minha espera sob empréstimo da biblioteca “O Pêndulo de Foucault”. Mas essas são cenas dos próximos episódios...digo, comentários para outros posts.

2 – A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

Há tempos tenho vontade de ler esse livro e depois que li “Marina” (veja resenha AQUI) me apaixonei pela narrativa de Zafón não vejo a hora de me aventurar novamente pelo mundo criado pelo autor.









1 – A Casa Torta - Agatha Christie (entre muitos outros da Dama do Crime)

Dizem que pai e mãe nunca escolhem um filho como predileto entre os outros, mas os que tem irmãos muitas vezes dizem que isso não é bem verdade. No caso da Agatha Christie, aparentemente, não é mesmo. Esse ano descobri que a autora tinha predileção por dois de seus livros (que podem ser considerados um pouco como filhos também, porque não?). São eles “Punição para a Inocência”, que eu li há muitos anos e achei fantástico, diga-se de passagem, e “A Casa Torta”. Nem é preciso dizer desde o momento em que soube disso, o livro foi em disparada para o primeiro lugar da minha wishlist, né? Afinal, se ela diz que é um dos melhores que escreveu quem sou eu para duvidar, não é mesmo? E lógico, também não preciso dizer que pretendo comprar vários títulos da autora esse ano, não apenas aqueles que ainda são inéditos para mim, mas também aqueles que li e ainda não fazem parte da minha coleção. Eis aí uma boa meta literária para 2012: completar minha coleção Agatha Christie.

Menção honrosa para “O Caso dos Dez Negrinhos” de Agatha Christie (que eu vou ter que encontrar em um sebo, graças a abominável mudança do título para “E não sobrou nenhum”) e “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emily Brontë que são meus livros preferidos, mas que ainda não fazem parte da minha coleção.

E chegamos ao fim do nosso Especial de Final de Ano. Esperamos que tenham gostado. Não deixem de comentar e nos contar quais foram os livros adorados e odiados por vocês em 2011 e quais os livros que estão ansiosos para ler em 2012. Até lá!
 

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