“Cada um deles — um por um — morreria. É óbvio que sempre
souberam disso, mas agora a morte vinha e se sentava em seus peitos toda noite,
fria e faminta, perscrutando seus olhos. O mundo era um lugar perigoso; as
noções de segurança pessoal eram histórias para as crianças na hora de dormir.
Bastava virar a esquina errada e tudo estaria terminado.” (PATCHETT, 2013, p.
146).
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Se você me disser a palavra “terrorista”, no segundo
seguinte estarei pensando em Jack Bauer, o protagonista da finada (e em breve
ressurreta) série 24 Horas. Ao ler a sinopse de Bel Canto, minha expectativa
era encontrar um romance com doses de ação e aventura. Embora meu palpite tenha
passado longe, devo dizer que me surpreendi com a obra.
Em um país da América Latina é preparada uma festa de
aniversário para o dono de uma grande empresa japonesa. Ele, porém, não tem
intenção de comparecer a festa, até que lhe prometem trazer uma
importante cantora de ópera, da qual é fã.
Durante a comemoração, um grupo terrorista invade a casa a fim de
sequestrar o presidente do país anfitrião, porém, surpreendem-se ao descobrir
que o mesmo faltou ao evento. Na ausência do presidente, os terroristas fazem
os convidados de refém, e demandam que suas exigências sejam cumpridas sob pena
de matarem os encarcerados.
Esclareço desde já que embora a premissa do livro seja o
cárcere dos convidados em uma mansão, o real cerne da estória é o
relacionamento entre os mais diferentes personagens. Pessoas de todas as partes
do mundo são obrigadas a conviver em uma situação extrema e, paulatinamente,
desenvolvem laços inusitados.
O que mais se destaca na obra é narrativa de Patchett. Sua
sensibilidade para transmitir sentimentos e emoções em uma realidade tão severa
é impressionante. Mesmo sendo uma narrativa fluída e gostosa de ler, sua
essência constitui uma verdadeira obra de arte, que deve ser apreciada em sua profundidade.
O único ponto negativo do livro é o número exacerbado de
personagens. Embora compreensível sua existência, fiquei com a impressão de que
a autora insistiu em contar um pouco da estória de cada um deles, porém, sem
ter como aprofundar-se devidamente.
Bel Canto é uma obra que se tornará universal, pois comprova
que valores como amor, amizade, afeto e companheirismo transcendem fronteiras e
não dependem de um idioma para serem expressados. Isso mesmo. Em meio a
cacofonia de idiomas, vemos que um olhar, um toque ou uma canção podem ser a
melhor forma para se comunicar.
Autora: Ann Patchett
N.º de páginas: 288
Editora: Intrínseca



