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domingo, 16 de junho de 2013

RESENHA: É Melhor Não Saber

“Subi com dificuldade as pedras escorregadias e fui para a margem. Depois fiquei curvada, vomitando água e medo na areia.” (STEVENS, 2013, p. 285).

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Após ler Identidade Roubada e ser surpreendido pela qualidade da estória criada por Chevy Stevens, mal podia esperar para conferir os demais livros de sua autoria. Assim que É Melhor Não Saber foi lançado, sabia que precisava lê-lo. Mas, como sempre digo, quando a expectativa é grande, a decepção também pode ser.

Sara foi adotada e — algumas semanas antes de seu casamento — decide descobrir quem são seus pais biológicos. É então que encontra a amarga verdade: ela é filha de um famoso serial killer e sua mãe foi a única vítima que sobreviveu. Quando a estória de Sara é divulgada na internet, seu pai entra em contato, desejando conhecê-la.

Assim que li a sinopse, a premissa me pareceu fantástica. Rapidamente, imaginei as inúmeras possibilidades que a autora poderia seguir, criando um livro interessante, envolvente e instigante, porém, não foi o que aconteceu.

É Melhor Não Saber segue a mesma estrutura de Identidade Roubada: cada capítulo corresponde a uma sessão de terapia, nas quais Sara coloca para fora todas as suas angustias, emoções e sentimentos. Continuo achando a estrutura do livro muito criativa, porém, o problema foi que não simpatizei com a protagonista, de modo que foi difícil se importar com sua estória.

A trama é linear e relativamente simples, o quê não é uma crítica. A crítica surge quando esta estória linear está associada a uma narrativa monótona e que não prende a atenção do leitor. Entendo a opção da autora pela forma como escreveu boa parte do livro, mas devo dizer que faltou ação, o que me transmitiu a sensação de que nada importante aconteceu por capítulos e mais capítulos.

Nas últimas páginas, Stevens tentou surpreender o leitor, porém, as reviravoltas inseridas por ela nos momentos finais do livro não me surpreenderam. E mesmo que o final tenha contado com mais ação e suspense, eles não foram suficientes para causar-me uma boa impressão sobre o conjunto da obra.

Ainda confio no potencial de Chevy Stevens, contudo, em É Melhor Não Saber a autora não atingiu seu melhor nível. A verdade é que por mais interessante que seja uma premissa, não é apenas disso que se faz um livro.

Título: É Melhor Não Saber (exemplar cedido pela Editora Arqueiro)
Autora: Chevy Stevens
N.º de páginas: 317
Editora: Arqueiro

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

RESENHA: Identidade Roubada

“Quando o médico chegou, eu estava mais calma. Foi bom saber que eu não havia sofrido qualquer fratura. Mas eu tinha várias escoriações, cortes e arranhões, além de um dor de cabeça de rachar. Eu havia ficado em estado de choque em conseqüência de uma combinação de dor e medo. Acha que é pouca coisa?” (STEVENS, 2011, p. 197).

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Ao ler a sinopse de Identidade Roubada, fui imediatamente conquistado por sua premissa: memórias de um verdadeiro pesadelo, que são compartilhadas pela vítima a sua terapeuta ao longo de vinte e seis sessões.

Annie O’Sullivan, corretora de imóveis, se prepara para dar por encerrado um plantão de vendas quando um cliente em potencial aparece. Porém, o distinto e elegante senhor que Annie imaginava ser um cliente era, na verdade, um psicopata, que a sequestra e mantém em um cativeiro por um ano.

A narrativa do livro é muito criativa, pois consiste no relato de Annie à sua psicóloga dos dias que foi obrigada a conviver com o homem que denominou de Maníaco. Todavia, uma advertência: prepare-se para uma estória pesada. A protagonista é isolada do mundo, obrigada a obedecer a um séquito de regras absurdas, sendo estuprada e violentada repetidamente.

Embora a narrativa, seja, de fato, criativa, algo não funcionou. Como se trata de um relato linear, sem grandes reviravoltas, sem suspense, não há nada que instigue o leitor a prosseguir a leitura. Além disso, imagino que por se tratar de uma leitura densa e, por vezes, perturbadora, o leitor não consegue "mergulhar de cabeça" na obra.

Mas, vale destacar que a protagonista, mesmo tendo absolutamente tudo para ser depressiva e amargurada, consegue ser espirituosa. É claro que ela não está bem, pois o que lhe aconteceu alterou todo o rumo de sua vida, contudo, ela se esforça para apreender a lidar com a situação e sua evolução no decorrer do livro é palpável.

O grande mérito de Chevy Stevens, todavia, foi deixado para as últimas cem páginas. Ação, adrenalina e suspense, se uniram para criar um final surpreendente e inesperado. Ou seja, os elementos que senti falta até a metade do livro, sobejaram na parte final, dando origem a capítulos instigantes e impulsionando o leitor a continuar a leitura até a última página.

A autora, apresentado impressionante domínio sobre a estória que criou, introduziu pequenos detalhes no decorrer do relato de Annie, os quais imaginei que seriam irrelevantes. Porém, estes detalhes, quando alinhavados, revelaram uma estória muito maior do que eu poderia imaginar.

Se você tem estômago para ler o relato visceral de Annie, não perca tempo. De minha parte digo que estou ansioso para ler É Melhor Não Saber — um dos próximos lançamentos da Editora Arqueiro —, pois Chevy Stevens comprovou seu talento e habilidade de forma cabal.

Título: Identidade Roubada
Autora: Chevy Stevens
N.º de páginas: 254
Editora: Arqueiro
 

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