“Subi com dificuldade as pedras escorregadias e fui para a
margem. Depois fiquei curvada, vomitando água e medo na areia.” (STEVENS, 2013,
p. 285).
Após ler Identidade Roubada e ser surpreendido pela
qualidade da estória criada por Chevy Stevens, mal podia esperar para conferir
os demais livros de sua autoria. Assim que É Melhor Não Saber foi lançado,
sabia que precisava lê-lo. Mas, como sempre digo, quando a expectativa é
grande, a decepção também pode ser.
Sara foi adotada e — algumas semanas antes de seu casamento
— decide descobrir quem são seus pais biológicos. É então que encontra a amarga
verdade: ela é filha de um famoso serial killer e sua mãe foi a única vítima
que sobreviveu. Quando a estória de Sara é divulgada na internet, seu pai entra
em contato, desejando conhecê-la.
Assim que li a sinopse, a premissa me pareceu fantástica.
Rapidamente, imaginei as inúmeras possibilidades que a autora poderia seguir, criando
um livro interessante, envolvente e instigante, porém, não foi o que aconteceu.
É Melhor Não Saber segue a mesma estrutura de Identidade Roubada:
cada capítulo corresponde a uma sessão de terapia, nas quais Sara coloca para
fora todas as suas angustias, emoções e sentimentos. Continuo achando a
estrutura do livro muito criativa, porém, o problema foi que não simpatizei com
a protagonista, de modo que foi difícil se importar com sua estória.
A trama é linear e relativamente simples, o quê não é uma
crítica. A crítica surge quando esta estória linear está associada a uma
narrativa monótona e que não prende a atenção do leitor. Entendo a opção da
autora pela forma como escreveu boa parte do livro, mas devo dizer que faltou
ação, o que me transmitiu a sensação de que nada importante aconteceu por
capítulos e mais capítulos.
Nas últimas páginas, Stevens tentou surpreender o leitor,
porém, as reviravoltas inseridas por ela nos momentos finais do livro não me
surpreenderam. E mesmo que o final tenha contado com mais ação e suspense, eles
não foram suficientes para causar-me uma boa impressão sobre o conjunto da obra.
Ainda confio no potencial de Chevy Stevens, contudo, em É
Melhor Não Saber a autora não atingiu seu melhor nível. A verdade é que por
mais interessante que seja uma premissa, não é apenas disso que se faz um
livro.
Título: É Melhor Não Saber (exemplar cedido pela Editora Arqueiro)
Autora: Chevy Stevens
N.º de páginas: 317
Editora: Arqueiro




