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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

RESENHA: Retrato de uma Espiã

“Existem indicadores comuns reveladores de homens-bomba. Os lábios podem se movimentar involuntariamente em suas últimas preces. O olhar pode ser vidrado e distante. E o rosto às vezes pode estar pálido demais, prova de que uma barba desgrenhada foi raspada às pressas durante os preparativos para uma missão.” (SILVA, 2013, p. 27).

***

Depois de constatar a boa impressão de vários blogueiros, inclusive da Mari, sobre o livro O Caso Rembrandt, imaginei que a leitura de O Retrato de uma Espiã seria garantia de satisfação. Infelizmente, minha conclusão não se mostrou sequer próxima da realidade.  

Um novo grupo terrorista dá inicio a uma série de ataques em cidades européias, sendo que Gabriel Allon, agente aposentado da inteligência israelense, presencia o momento em que um homem bomba explode em Londres. Posteriormente, o agente é convidado a comandar uma operação global para deter o principal líder da organização.

Meu primeiro problema com o livro diz respeito ao seu protagonista. Allon é descrito como uma mistura de James Bond, Sherlock Holmes e, pasmem, Jack Bauer (leia-se: o melhor agente que já existiu). Sabe aquele tipo de personagem que é perfeito em tudo o que faz? Este é Allon. E este nível de perfeição me irritou profundamente porque simplesmente não pareceu real.

A estória é boa? Sim. Trata-se uma trama inteligente, bem bolada e que se reveste de verossimilhança. E talvez a estória seja tão verossimilhante que acabou imprimindo um ritmo extremamente monótono a narrativa. A ação do livro foi reservada as últimas páginas, momento em que tudo o que eu queria era encerrar a leitura.

Somando a ausência de ação e de reviravoltas a uma narrativa mais lenta e descritiva, Daniel compôs uma mistura indigesta em se tratando de um romance de espionagem. Não me entenda mal. O autor tem uma boa escrita e a estória era interessante, porém, me pareceu que ele não soube contar uma estória linear de forma a manter o interesse do leitor. 

Outro fator que não contribuiu para o meu envolvimento com o livro foi a grande quantidade de personagens, assim como alguns nomes árabes muito similares. Em outras palavras: em alguns momentos demorei a identificar quem era aquele personagem, o que acabou sendo a gota d'água. 

O fato é que todo autor tem direito a seus altos e baixos. Como Daniel Silva já esteve na lista de mais vendidos do New York Times com vários de seus livros, cheguei a conclusão que Retrato de uma Espiã — o décimo primeiro livro que conta com Gabriel Allon como protagonista — não conseguiu demonstrar todo o seu potencial. 

Título: Retrato de uma Espiã (exemplar cedido pela Editora Arqueiro)
Autor: Daniel Silva
N.º de páginas: 298
Editora: Arqueiro

sábado, 16 de março de 2013

Quem vem para o jantar? #19

"Quem vem para o jantar?" é a coluna mensal do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Eu havia saído para um passeio e já caminhava por horas quando decidi sentar em um charmoso café para descansar um pouco. Larguei as sacolas de compras na cadeira ao lado e me pus a observar as belas edificações e as pessoas que andavam apressadas. Era meu último dia de férias e eu já sabia que sentiria falta daquele lugar.

Foi com surpresa que identifiquei, então, um rosto familiar entre todos aqueles que transitavam. Estranhei, pois quem eu poderia conhecer naquela cidade? Quando olhei com mais atenção percebi que se tratava de Robert Langdon, o professor de simbologia de Harvard, protagonista das histórias de Dan Brown. Eu, junto com milhares de pessoas, já acompanhei do lado de fora as aventuras de Langdon e visitei com ele o museu do Louvre, o Vaticano, o Capitólio e outros lugares magníficos.

Enquanto relembrava as ótimas aventuras que Langdon já me proporcionou, percebo que na minha distração não vi que ele estava acompanhado. Ao seu lado estava - ninguém mais, ninguém menos que - Gabriel Allon, o espião israelense e restaurador de arte, responsável pela localização de um valioso Rembrandt inédito. Visto que Langdon costuma se meter em confusão e perigo onde quer que vá, ter a companhia de alguém como Gabriel é mais do que indicado.

Os dois andavam apressados, na certa atrás de alguma obra de arte que escondia algum mistério incrível. Havia ainda uma mulher com eles. Não era Chiara, a esposa de Gabriel, então na certa deveria ser uma das parceiras de aventuras de Langdon.

Fiquei hipnotizada olhando o grupo, mas tratei de tomar o último gole do meu cappuccino rapidamente e ir embora, me certificando de pegar o caminho exatamente oposto ao que eles seguiram. Na certa onde quer que eles estivessem indo haveria algo perigoso e eu não queria estar no meio do caminho. Não me entenda mal, eu adoro uma aventura cheia de perigos, mas no conforto do meu sofá preferencialmente.

Saí do café torcendo para que a história que aquele grupo estava vivenciando fosse transformada em livro. Talvez um suspense hipnotizante de Dan Brown ou um thriller ágil de Daniel Silva. Não sei, mas independente de qual autor a registraria, tenho certeza que seria um ótimo livro.

domingo, 10 de março de 2013

RESENHA: O Caso Rembrandt

“Era uma narrativa de ganância, desapropriação e morte que se estendia havia mais de meio século e ia de Amsterdã a Zurique, passava por Buenos Aires e voltava às elegantes margens do lago Genebra. Os protagonistas eram um quadro de Rembrandt escondido havia muito tempo, uma fortuna em bens do Holocausto que fora roubada duas vezes e um homem (...) que era tudo menos santo.” (SILVA, p. 135, 2012)

À primeira vista, “O Caso Rembrandt” não me despertou interesse. Por alguma razão me remeteu ao “O Código Da Vinci” – não sei dizer exatamente porque, talvez tenha sido o nome de Rembrandt no título - e eu achei que o livro era uma tentativa – provavelmente fracassada – do autor de escrever um best-seller na linha do de Dan Brown. Mal sabia eu que Daniel Silva é um excelente autor de espionagem, que Gabriel Allon é o protagonista de uma série de sucesso e que “O Caso Rembrandt” não tem nada a ver com “O Código Da Vinci”, a não ser por ambos serem livros que prendem o leitor em sua ação.

Após o assassinato de um restaurador de arte e o roubo da obra em que ele trabalhava no momento – um quadro de Rembrandt nunca exposto – Gabriel Allon é chamado para recuperar a pintura. As razões que fazem de Gabriel o homem ideal para a missão são muitas: além de ser um restaurador de arte e de conhecer o homem assassinado há muitos anos, Gabriel é um espião. E dos melhores. Mas Gabriel está aposentado, se recuperando de uma missão que deixou cicatrizes tanto nele como em sua esposa, Chiara - outra espiã. Ainda assim, ele embarca na missão de recuperar o Rembrandt e se depara com algo muito maior do que o roubo de uma importante obra de arte: segredos e crimes que vem desde os tempos do Holocausto e que podem levar a uma catástrofe de proporções mundiais.

Pré-requisito para livros de espionagem, ação e suspense permeiam as páginas de “O Caso Rembrandt”. Daniel Silva é extremamente competente ao contar a história de modo que o leitor não queira se separar dela e consegue fazer isso sem soar forçado. “O Caso Rembrandt” não é um daqueles livros que enrolam o leitor por um capitulo inteiro para encerrá-lo com um cliffhanger forçado na intenção de faze-lo querer devorar os capítulos seguintes. É um livro em que a ação está presente constantemente porque a história move-se com rapidez e o autor sabe exatamente onde quer levar o leitor. Nada é em vão ou desperdiçado. A trama envolve tantos elementos que chega um momento em que você nem lembra mais do Rembrandt de tão longe que ela já chegou e de tantas outras coisas que já envolveu. É assim Daniel Silva se revela competente. Ele consegue extrair o máximo de cada situação de forma que o leitor se envolva em cada uma delas e nem desconfie o quanto a trama é ampla e o quanto ainda tem por vir. Não é um livro de surpresas, mas é surpreendente.

O protagonista, Gabriel Allon, é um personagem interessante por ser uma mistura extremamente curiosa: é um espião e assassino, mas também é um restaurador de arte dos mais talentosos. Convenhamos, essa não é uma mistura que se veja com frequência. Ao mesmo tempo em que podemos ver o lado implacável do personagem, também podemos ver a sua sensibilidade, seu amor pela esposa e a maneira como se importa com as pessoas ao seu redor. A investigação, que começa sendo meramente a busca por um quadro perdido, o leva a pessoas que morreram percorrendo o mesmo caminho que ele, a pessoas traumatizadas pela guerra e o coloca no rastro de um homem ambicioso e perigoso. Ver como Gabriel lida com cada uma dessas situações nos permite conhecer várias de suas facetas.

Eu adoro livros de espionagem e Gabriel Allon é um espião que desejo encontrar mais vezes. “O Caso Rembrandt” é um livro muito bem executado. Conta uma história ousada – não pelo tema que aborda, mas pela coragem de abraçar tantas coisas – que amarra suas pontas muito bem e satisfaz o leitor que gosta de ação e suspense.

Update: Embora o nome possa enganar, Daniel Silva não é brasileiro e sim americano, nascido em Michigan e criado na Califórnia. O autor é filho de açorianos.


Título: O Caso Rembrandt
Autor: Daniel Silva
Nº de páginas: 303
Editora: Arqueiro
 

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