“Existem indicadores comuns reveladores de homens-bomba. Os
lábios podem se movimentar involuntariamente em suas últimas preces. O olhar
pode ser vidrado e distante. E o rosto às vezes pode estar pálido demais, prova
de que uma barba desgrenhada foi raspada às pressas durante os preparativos
para uma missão.” (SILVA, 2013, p. 27).
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Depois de constatar a boa impressão de vários blogueiros,
inclusive da Mari, sobre o livro O Caso Rembrandt, imaginei que a leitura de O
Retrato de uma Espiã seria garantia de satisfação. Infelizmente, minha
conclusão não se mostrou sequer próxima da realidade.
Um novo grupo terrorista dá inicio a uma série de ataques em
cidades européias, sendo que Gabriel Allon, agente aposentado da inteligência
israelense, presencia o momento em que um homem bomba explode em Londres.
Posteriormente, o agente é convidado a comandar uma operação global para deter o
principal líder da organização.
Meu primeiro problema com o livro diz respeito ao seu
protagonista. Allon é descrito como uma mistura de James Bond, Sherlock Holmes
e, pasmem, Jack Bauer (leia-se: o melhor agente que já existiu). Sabe aquele
tipo de personagem que é perfeito em tudo o que faz? Este é Allon. E este nível
de perfeição me irritou profundamente porque simplesmente não pareceu real.
A estória é boa? Sim. Trata-se uma trama inteligente, bem
bolada e que se reveste de verossimilhança. E talvez a estória seja tão
verossimilhante que acabou imprimindo um ritmo extremamente monótono a
narrativa. A ação do livro foi reservada as últimas páginas, momento em que
tudo o que eu queria era encerrar a leitura.
Somando a ausência de ação e de reviravoltas a uma narrativa
mais lenta e descritiva, Daniel compôs uma mistura indigesta em se tratando de um romance de espionagem. Não me entenda mal. O autor tem uma boa escrita e a estória era
interessante, porém, me pareceu que ele não soube contar uma estória linear de forma a manter o interesse do leitor.
Outro fator que não contribuiu para o meu envolvimento com o livro foi a grande quantidade de personagens, assim como alguns nomes árabes muito similares. Em outras palavras: em alguns momentos
demorei a identificar quem era aquele personagem, o que acabou sendo a gota d'água.
O fato é que todo autor tem direito a seus altos e baixos. Como Daniel Silva já esteve na lista de mais vendidos do New York Times com vários de seus livros, cheguei a conclusão que Retrato de
uma Espiã — o décimo primeiro livro que conta com Gabriel Allon como protagonista — não conseguiu demonstrar todo o seu potencial.
Autor: Daniel Silva
N.º de páginas: 298
Editora: Arqueiro