A série A Guerra do Velho me surpreendeu e encantou desde o primeiro livro. Scalzi é um daqueles autores com o raro talento de criar estórias que se tornam experiências de imersão, pois uma vez que você inicia a estória simplesmente não consegue interromper a leitura. E por isso mesmo estava ansioso para conferir A Última Colônia, o terceiro livro da saga.
Atenção: o parágrafo abaixo contém spoilers. O restante da resenha é livre de spoilers.
A União Colonial decidiu criar uma nova colônia, mas em vez de terráqueos, são os povos de planetas já colonizados que habitarão Roanoke. Por ser um empreendimento inédito, a UC convoca John Perry e Jane Sagan para administrar a colônia. Porém, o que eles não sabem é que a União Colonial tem planos muito maiores e mais complexos.
A Última Colônia certamente é o turning point da saga. Apesar de ser mais uma aventura eletrizante, Scalzi continua expandido os horizontes e limites do universo que criou. Assim, a estória vai muito além das estruturas militares e da luta por planetas, passando a explorar o aspecto político da estória e suas consequências.
É comum dizer que as relações internacionais são anárquicas e caóticas, uma vez que não há hierarquia entre os atores internacionais e nem regras determinando suas condutas. E Scalzi mostra exatamente isso: na corrida pela colonização do universo, o que vale é a lei do mais forte. Ou do mais inteligente.
“Somos corpos estranhos quando pousamos em novos mundos e sabemos o que qualquer sistema de vida faz com um corpo estranho em seu meio: tenta matá-lo o mais rápido possível.” (SCALZI, 2019, p. 61)
Além desse pano de fundo intrigante, o autor consegue trazer à tona uma profunda discussão a respeito da importância da informação e dos riscos que a falta dela ou sua distorção podem causar na sociedade. Outro tema de reflexão é o conceito de humanidade: o que nos faz humanos e o que nos rouba a humanidade? Assim, Scalzi consegue mostrar que a ficção científica, por mais futurística que seja, consegue dialogar com os desafios e dilemas que vivenciamos na atualidade.
Desta vez, a narrativa volta a ser feita em primeira pessoa do ponto de vista de John Perry e tive aquela gostosa sensação de voltar para casa. Não que o autor não tenha sido bem sucedido quando narrou em terceira pessoa, porém, Perry é um personagem tão carismático que é impossível o leitor não se conectar com ele e com sua jornada logo nos primeiros capítulos.
Como esperado, o final é empolgante e deixa ganchos inesperados para o futuro da saga. Quando iniciei a leitura do primeiro livro, jamais imaginei que o autor seguiria por rumos tão inusitados e mal posso esperar para descobrir o que os próximos volumes da saga reservam.
Mais uma vez Scalzi acerta em cheio e entrega tudo o que um leitor pode esperar: bons personagens, trama bem construída e altas doses de aventura e adrenalina. Resta-me reconhecer, mais uma vez, que A Guerra do Velho é a melhor série de ficção científica da atualidade.
Título: A Última Colônia
Autor: A Guerra do Velho
Editora: Aleph
N.º de páginas: 357
Exemplar cedido pela editora



