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domingo, 13 de dezembro de 2015

RESENHA: Quando você a viu pela última vez?

“Nós éramos mais como peças de um quebra-cabeça, partes diferentes de uma mesma história. Há pessoas assim aonde quer que você vá. Elas são parte do mesmo mistério que você, mas não é possível dizer exatamente como vocês se encaixam juntos. O mundo é um quebra-cabeça, e não podemos montá-lo sozinhos.” (SNICKET, p. 139, 2013)

O jovem Lemony Snicket ainda se encontra no vilarejo de Manchado-pelo-mar na companhia de sua tutora S. Theodora Markson (e ainda sem saber o que o S. significa) quando Chloe, uma jovem e brilhante química, desaparece. Theodora logo encontra uma resposta que a satisfaz, mas Lemony acredita que o terrível vilão Tiro Furado esteja por trás do sequestro da moça. Para tentar descobrir o que aconteceu, ele contará mais uma vez com a ajuda de uma jornalista mirim, de uma dupla de taxistas mirins e de uma menina cujas sobrancelhas parecem pontos de interrogação em uma aventura que lhe permitirá fazer a pergunta errada muitas vezes.

No segundo livro da série "Só Perguntas Erradas" nos encontramos mais uma vez com o adorável Lemony Snicket para acompanhá-lo em mais uma aventura maluca no vilarejo maluco de Manchado-pelo-mar. E bastou ler as primeiras linhas para que eu lembrasse o que havia me cativado em "Quem poderia ser a uma hora dessas?": a voz narrativa de Snicket e seu jeito peculiar e espirituoso de relatar os acontecimentos.

Algumas semanas separam os eventos do primeiro e do segundo livro, por isso a situação em que encontramos Snicket não se diferencia muito daquela em que o vimos pela última vez.

Assim como no primeiro livro, o mistério central é relativamente simples, não contando com muitas reviravoltas, o que não é de se estranhar visto se tratar de uma série juvenil. Inclusive, achei o mistério do desaparecimento de Chloe até mais previsível que o do roubo da estátua da Fera Ressonante, mas isso talvez se dê pela familiaridade que agora tenho com a série e seus personagens, afinal, um detetive mirim não pode ter tantos vilões terríveis em seu caminho e Tiro Furado continua cumprindo bem o papel de vilão misterioso e imprevisível com sua habilidade de imitar todas as vozes e encontrar estratégias para pessoas boas fazerem coisas ruins.

O que me incomodou um pouco foi o caso de Chloe ganhar um foco muito maior do que o panorama geral (que, por sua vez, pouco avança) já que eu esperava que nesse ponto da série já tivéssemos mais respostas sobre a organização a que Lemony pertence e quais são os planos dele ao lado da irmã.

Mas independente das respostas ou do mistério desse livro, a verdade é que o forte da série "Só Perguntas Erradas" são as peculiaridades desse vilarejo que costumava ficar a beira mar (antes de o mar ser drenado) e cuja principal economia era a tinta extraída de polvos assustados. Um lugar onde existem pessoas como a Sra. Faminta (dona do restaurante Faminto's), um mercado de "Comidas Incompletas", um grupo de pessoas que fundou a (provavelmente maligna) "Sociedade Desumana", uma máquina que faz tanto pão quanto café (dependendo do botão que você aperta) e onde a autoridade policial é um casal que passa trocando insultos e leva seu filho endiabrado no banco de trás da viatura fazendo "ió ió ió" para servir como sirene. O forte da série é o carisma de seu protagonista, um adorável detetive (espião?) mirim e sua maneira divertida, inusitada e perspicaz de contar a sua história. Nisso, "Quando você a viu pela última vez?" não deixa a desejar.

Título: Quando você a viu pela última vez? (exemplar cedido pela editora)
Autor: Lemony Snicket
N° de páginas: 265
Editora: Seguinte

segunda-feira, 20 de julho de 2015

RESENHA: Quem poderia ser a uma hora dessas?

"Havia um vilarejo, uma garota e também um roubo. Eu estava no vilarejo, fora contratado para investigar o roubo, e achava que a garota não tinha nada a ver com aquilo. Eu tinha quase treze anos e estava errado. Sobre tudo. Eu devia ter feito a pergunta: “Por que alguém diria que roubaram uma coisa que nunca foi sua, pra começar?”. Em vez disso, fiz a pergunta errada — quatro perguntas erradas, mais ou menos. Esta é a história da primeira delas.” (SNICKET, p.13, 2012)

É assim que Lemony Snicket dá início a “Quem poderia ser a uma hora dessas?”, primeiro livro da série “Só Perguntas Erradas”. E se eu já havia simpatizado com a premissa da série, ler essa abertura me cativou em um momento em que eu estava querendo um leitura leve e divertida e nada parecia me agradar.

O jovem Lemony Snicket está em treinamento em uma organização misteriosa. Sua tutora é S. Theodora Markson (que ocupa a posição 52 em uma lista de 52 tutores, adora explicar o que as palavras significam e assina mensagens secretas com a inicial do seu nome – que nem ela mesma sabe o que significa) e juntos eles vão para a cidade de Manchado-pelo-mar, um lugar à beira-mar que não está mais à beira-mar desde que o mar foi drenado, cuja principal atividade é a extração de tinta de polvo e a principal área de vegetação é uma floresta de algas marinhas conhecida como Floresta Aglomerada. Lá a dupla precisa investigar o roubo da Fera Ressonante, uma estátua com a qual ninguém se importa de verdade.

Pseudônimo do escritor Daniel Handler, aclamado pelos livros “Desventuras em série”, Lemony Snicket é o protagonista e narrador de “Quem poderia ser a uma hora dessas?”. Sua voz é cativante e seu jeito de contar a história é completamente inusitado e divertido. Alias, tudo no livro é inusitado e divertido, desde os eventos, ao lugar onde a história se desenrola e até nomes dos personagens e lugares (estes, diga-se de passagem, são um show a parte. A Avenida Respingada na cidade de Manchada-pelo-mar; a pousada Braços Perdidos, propriedade de Próspero Perdido; a Casa de Chá e Papelaria Cicuta, são alguns). Embora claramente juvenil, Lemony Snicket nos presenteia com um texto inteligente e singular que é o ponto alto do livro.

O clima de mistério e aventura prevalece desde o começo, mas em nenhum momento se perde a perspectiva de que essa é uma história juvenil. Temos um roubo em circunstâncias malucas em uma cidade onde tudo é um pouco maluco e o caso está sendo investigado por um menino de treze anos, sua tutora despenteada e, eventualmente, por uma jornalista também de treze anos que escreve sobre eventos insignificantes em uma espécie de estágio supervisionado por ela mesma.

É por isso que esse não é um livro para ser lido pela resolução da trama, mas sim pelo conjunto da obra, composto por uma narrativa cheia de comentários espirituosos que consegue criar imagens vívidas (e hilárias) para o leitor, um protagonista que personifica o que todos nós queríamos ter feito na infância (quem não adoraria ter feito parte de uma organização secreta e ir para uma cidade desconhecida investigar eventos suspeitos?) e ainda é recheado de ilustrações atentas aos detalhes da história.

Nesse primeiro livro, ainda sabemos pouco sobre a organização a que Lemony faz parte e sobre o passado do protagonista. Tudo o que sabemos é que em algum lugar ele tem uma aliada e seus verdadeiros planos são ao lado dela.

Seria um exagero dizer que estou ansiosa pelo segundo volume da série “Só Perguntas Erradas”, mas algo me diz que na próxima vez em que eu estiver querendo uma leitura que me faça rir, vou procurar pela adorável companhia de Lemony Snicket.

Título: Quem poderia ser a uma hora dessas? (exemplar cedido pela editora)
Autor: Lemony Snicket
N° de páginas: 235
Editora: Seguinte
 

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