“Nós éramos mais como peças de um quebra-cabeça, partes diferentes de uma mesma história. Há pessoas assim aonde quer que você vá. Elas são parte do mesmo mistério que você, mas não é possível dizer exatamente como vocês se encaixam juntos. O mundo é um quebra-cabeça, e não podemos montá-lo sozinhos.” (SNICKET, p. 139, 2013)
O jovem Lemony Snicket ainda se encontra no vilarejo de Manchado-pelo-mar na companhia de sua tutora S. Theodora Markson (e ainda sem saber o que o S. significa) quando Chloe, uma jovem e brilhante química, desaparece. Theodora logo encontra uma resposta que a satisfaz, mas Lemony acredita que o terrível vilão Tiro Furado esteja por trás do sequestro da moça. Para tentar descobrir o que aconteceu, ele contará mais uma vez com a ajuda de uma jornalista mirim, de uma dupla de taxistas mirins e de uma menina cujas sobrancelhas parecem pontos de interrogação em uma aventura que lhe permitirá fazer a pergunta errada muitas vezes.
No segundo livro da série "Só Perguntas Erradas" nos encontramos mais uma vez com o adorável Lemony Snicket para acompanhá-lo em mais uma aventura maluca no vilarejo maluco de Manchado-pelo-mar. E bastou ler as primeiras linhas para que eu lembrasse o que havia me cativado em "Quem poderia ser a uma hora dessas?": a voz narrativa de Snicket e seu jeito peculiar e espirituoso de relatar os acontecimentos.
Algumas semanas separam os eventos do primeiro e do segundo livro, por isso a situação em que encontramos Snicket não se diferencia muito daquela em que o vimos pela última vez.
Assim como no primeiro livro, o mistério central é relativamente simples, não contando com muitas reviravoltas, o que não é de se estranhar visto se tratar de uma série juvenil. Inclusive, achei o mistério do desaparecimento de Chloe até mais previsível que o do roubo da estátua da Fera Ressonante, mas isso talvez se dê pela familiaridade que agora tenho com a série e seus personagens, afinal, um detetive mirim não pode ter tantos vilões terríveis em seu caminho e Tiro Furado continua cumprindo bem o papel de vilão misterioso e imprevisível com sua habilidade de imitar todas as vozes e encontrar estratégias para pessoas boas fazerem coisas ruins.
O que me incomodou um pouco foi o caso de Chloe ganhar um foco muito maior do que o panorama geral (que, por sua vez, pouco avança) já que eu esperava que nesse ponto da série já tivéssemos mais respostas sobre a organização a que Lemony pertence e quais são os planos dele ao lado da irmã.
Mas independente das respostas ou do mistério desse livro, a verdade é que o forte da série "Só Perguntas Erradas" são as peculiaridades desse vilarejo que costumava ficar a beira mar (antes de o mar ser drenado) e cuja principal economia era a tinta extraída de polvos assustados. Um lugar onde existem pessoas como a Sra. Faminta (dona do restaurante Faminto's), um mercado de "Comidas Incompletas", um grupo de pessoas que fundou a (provavelmente maligna) "Sociedade Desumana", uma máquina que faz tanto pão quanto café (dependendo do botão que você aperta) e onde a autoridade policial é um casal que passa trocando insultos e leva seu filho endiabrado no banco de trás da viatura fazendo "ió ió ió" para servir como sirene. O forte da série é o carisma de seu protagonista, um adorável detetive (espião?) mirim e sua maneira divertida, inusitada e perspicaz de contar a sua história. Nisso, "Quando você a viu pela última vez?" não deixa a desejar.
Título: Quando você a viu pela última vez? (exemplar cedido pela editora)
N° de páginas: 265
Editora: Seguinte




