“— Porque cada dia significa novas vinte e quatro horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro.” (LU, 2014, p. 253)
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Minha vontade de ler Legend remonta a data de seu primeiro lançamento, ainda no ano de 2012, quando vi inúmeras resenhas positivas. Somente consegui conferir o aclamado trabalho de Marie Lu neste ano, quando a editora Rocco relançou a série.
Day é o criminoso mais procurado da República, mas apesar de seus constantes ataques, ninguém consegue capturar o engenhoso adolescente. June, por sua vez, é um prodígio militar que se vê tomada pelo desejo de vingança quando descobre que Day é acusado de ter assassinado seu irmão. Entretanto, a República guarda inúmeros segredos, e quando revelados, colocarão em cheque todas as crenças de June.
Marie Lu adotou uma estratégia ousada: capítulos alternando entre os pontos de vista de Day e June. Apesar das semelhanças entre os personagens, e mesmo havendo certa semelhança da narrativa, a autora conseguiu imprimir uma voz distinta para cada um dos protagonistas. Porém, a narrativa é mediana: está longe de ser ruim, mas também não se destaca. Apenas me chamou a atenção que, em alguns momentos, os diálogos não condiziam com as idades dos personagens.
Os protagonistas são igualmente medianos. Até que possuem o seu carisma, mas não conseguem despertar aquela conexão com o leitor, o que atribuo ao fato de serem inverossímeis. Tanto Day quanto June possuem habilidades físicas e intelectuais muito superiores a de qualquer adolescente de quinze anos, aliás, tão superiores que conseguem ludibriar até mesmo militares altamente treinados.
Mas meu problema com Legend foi sua previsibilidade. Assim que iniciei a leitura e percebi os elementos essenciais da trama, imediatamente imaginei qual seria o rumo seguido por Lu. E não deu outra: todas as minhas previsões foram certeiras, e falo isso ressaltando que li poucos livros desse gênero, não podendo ser considerado, nem de perto, um especialista.
Outro fator que me incomodou foi o uso abusivo de clichês. Não tenho nenhum problema com o uso deles, desde que o autor saiba como usá-los, porém, utilizá-los indiscriminadamente e da mesma forma que inúmeros escritores já o fizeram, apenas serve para desvalorizar a obra, deixando a amarga impressão de mais do mesmo.
Tampouco aprovei a abordagem da autora em revelar seu novo mundo. É fato sabido que o primeiro livro de uma série tem um caráter mais introdutório, mas ao findar da leitura parecia que eu não sabia quase nada sobre aquele cenário. Quer explicar as conspirações e esquemas da República apenas nos próximos volumes? Sem problema nenhum, afinal, é o que o próprio leitor espera de uma saga. Mas a história daquele lugar já precisava ficar clara, e não ficou. Então temos referências a costumes ou práticas daquela nação que não são explicadas e deixam ao confuso leitor a missão de desvendar o seu significado.
Em circunstâncias normais, até daria uma chance para a série, pois embora Legend não tenha alcançado minhas expectativas, mostrou que tem potencial. Infelizmente, estou acompanhando mais de dez sagas no momento, e simplesmente não posso me dar ao luxo de continuar a leitura na esperança de que os próximos volumes melhorem.
Autora: Marie Lu
Tradutora: Ebréia de Castro Alves
N.º de páginas: 253
Editora: Rocco Jovens Leitores



