Em O Construtor de Pontes conhecemos a épica estória da família Dunbar. Depois da morte da mãe e de serem abandonados pelo pai, os cinco garotos tocam a vida como podem, entre brigas e corridas. Anos depois, o patriarca retorna, pedindo ajuda para construir uma ponte, sendo que apenas Clay, o quarto garoto Dunbar, aceita o convite. É Matthew, o irmão mais velho, que conta a estória não apenas da família, mas sobretudo de Clay.
Impossível falar sobre O Construtor de Pontes e não começar por Matthew, que narra a estória em primeira pessoa de uma forma envolvente e poética. Creio que esse efeito é conseguido pela linguagem mais abstrata, que literalmente nos dá a impressão de que o narrador está imerso em lembranças e nostalgia. E apesar de Clay ser o protagonista da obra, é Matthew que serve como nosso ponto de contato com o universo da família Dunbar, de modo que me apaguei muito mais a ele.
O livro conta com duas linhas temporais, que são exploradas em capítulos alternados. A primeira mostra o presente dos garotos Dunbar; a segunda mostra o passado, nos levando para as origens da família. Assim, o livro é como uma colcha de retalhos e vamos desvendando aos poucos a dinâmica familiar, entendendo suas alegrias, dores e traumas.
Particularmente, gostei mais dos capítulos relativos ao passado, pois eram mais concisos, diretos e abarcavam diversos acontecimentos. Já os capítulos referentes ao presente, além de serem um pouco mais enrolados e contarem com menos acontecimentos, tinham algumas “lacunas”, afinal, ainda não conhecíamos todo o histórico da família para entender completamente tudo o que acontecia.
A meu ver, O Construtor de Pontes é a típica saga familiar, passando por quatro gerações. O livro não se baseia em grandes eventos, mas sim no cotidiano familiar, mostrando como a vida de cada membro impactou a dos demais. Inclusive, merece destaque o fato de como os personagens são desenvolvidos a ponto de deixarem o leitor com a impressão de que são reais.
“Se tem uma coisa que aprendi, no entanto, é que se a vida continua em movimento após o fim de nossas histórias, ela ganha tração muito antes delas” (ZUSAK, 2019, p. 407).
O cerne da estória certamente é a discussão dos relacionamentos familiares e a reflexão sobre assuntos como amizade, companheirismo, amor, perda e reconciliação. Vale salientar que o autor consegue abordar tais temas de uma forma natural, ao longo da estória, não tendo a necessidade de forçar tais elementos.
O Construtor de Pontes é sobre Clay, e, apesar da estória ser muito mais ampla e não se limitar exclusivamente a ele, admito que não me envolvi tanto quanto desejava com sua jornada. O ponto alto certamente é descobrir por que, entre todos os irmãos, Clay foi o único que aceitou ajudar o pai. Porém, grande parte do livro é dedicado ao relacionamento dele com outra personagem e foi neste aspecto que Zusak pecou, pois o romance dos adolescentes me pareceu monótono e até mesmo exagerado.
Apesar dos percalços, O Construtor de Pontes foi uma ótima leitura e provou, mais uma vez, o ditado de que as melhores estórias são as estórias sobre famílias. Com uma narrativa profunda, personagens verossímeis e grandes reflexões, Markus Zusak marca mais uma vez seu nome na literatura contemporânea.
Título: O Construtor de Pontes
N.º de páginas: 527
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora
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