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terça-feira, 30 de abril de 2019

RESENHA: O Construtor de Pontes

o construtor de pontes
Em O Construtor de Pontes conhecemos a épica estória da família Dunbar. Depois da morte da mãe e de serem abandonados pelo pai, os cinco garotos tocam a vida como podem, entre brigas e corridas. Anos depois, o patriarca retorna, pedindo ajuda para construir uma ponte, sendo que apenas Clay, o quarto garoto Dunbar, aceita o convite. É Matthew, o irmão mais velho, que conta a estória não apenas da família, mas sobretudo de Clay.

Impossível falar sobre O Construtor de Pontes e não começar por Matthew, que narra a estória em primeira pessoa de uma forma envolvente e poética. Creio que esse efeito é conseguido pela linguagem mais abstrata, que literalmente nos dá a impressão de que o narrador está imerso em lembranças e nostalgia. E apesar de Clay ser o protagonista da obra, é Matthew que serve como nosso ponto de contato com o universo da família Dunbar, de modo que me apaguei muito mais a ele. 

O livro conta com duas linhas temporais, que são exploradas em capítulos alternados. A primeira mostra o presente dos garotos Dunbar; a segunda mostra o passado, nos levando para as origens da família. Assim, o livro é como uma colcha de retalhos e vamos desvendando aos poucos a dinâmica familiar, entendendo suas alegrias, dores e traumas. 

Particularmente, gostei mais dos capítulos relativos ao passado, pois eram mais concisos, diretos e abarcavam diversos acontecimentos. Já os capítulos referentes ao presente, além de serem um pouco mais enrolados e contarem com menos acontecimentos, tinham algumas “lacunas”, afinal, ainda não conhecíamos todo o histórico da família para entender completamente tudo o que acontecia. 

A meu ver, O Construtor de Pontes é a típica saga familiar, passando por quatro gerações. O livro não se baseia em grandes eventos, mas sim no cotidiano familiar, mostrando como a vida de cada membro impactou a dos demais. Inclusive, merece destaque o fato de como os personagens são desenvolvidos a ponto de deixarem o leitor com a impressão de que são reais. 

Se tem uma coisa que aprendi, no entanto, é que se a vida continua em movimento após o fim de nossas histórias, ela ganha tração muito antes delas” (ZUSAK, 2019, p. 407).

O cerne da estória certamente é a discussão dos relacionamentos familiares e a reflexão sobre assuntos como amizade, companheirismo, amor, perda e reconciliação. Vale salientar que o autor consegue abordar tais temas de uma forma natural, ao longo da estória, não tendo a necessidade de forçar tais elementos. 

O Construtor de Pontes é sobre Clay, e, apesar da estória ser muito mais ampla e não se limitar exclusivamente a ele, admito que não me envolvi tanto quanto desejava com sua jornada. O ponto alto certamente é descobrir por que, entre todos os irmãos, Clay foi o único que aceitou ajudar o pai. Porém, grande parte do livro é dedicado ao relacionamento dele com outra personagem e foi neste aspecto que Zusak pecou, pois o romance dos adolescentes me pareceu monótono e até mesmo exagerado. 

Apesar dos percalços, O Construtor de Pontes foi uma ótima leitura e provou, mais uma vez, o ditado de que as melhores estórias são as estórias sobre famílias. Com uma narrativa profunda, personagens verossímeis e grandes reflexões, Markus Zusak marca mais uma vez seu nome na literatura contemporânea. 

Título: O Construtor de Pontes
Autor: Markus Zusak
N.º de páginas: 527
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
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terça-feira, 20 de novembro de 2018

3 motivos para ler A Menina Que Roubava Livros

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Fomos convidados pela Editora Intrínseca para destacar três motivos para ler o maravilhoso A Menina Que Roubava Livros, de Markus Zusak. O motivo? Na caixa de dezembro do Intrínsecos — o clube de leitura da editora — encontraremos o novo livro do autor: O Construtor de Pontes. 

Mas enquanto a caixa não chega, vem conferir por que A Menina que Roubava Livros encantou tantos leitores e é uma leitura imperdível. 

a menina que roubava livros A morte


Se você ainda não leu A Menina Que Roubava Livros, então prepare-se para conhecer a narradora mais improvável da literatura: sim, estamos falando dela mesma, a morte. E apesar do seu trabalho ingrato e de ser vista como vilã pela maioria das pessoas, ela é extremamente espirituosa e até mesmo humana. Sua visão sobre o mundo e suas reflexões são tão interessante quanto a estória que conta

A morte se apresenta:

“Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.” (ZUSAK, 2013, p. 9)

A guerra


Zusak nos joga na Alemanha, em plena Segunda Guerra Mundial. Mas o que vemos não são as batalhas em si, e sim os seus nefastos efeitos: a escassez não apenas de comida, mas de esperança; o gosto amargo das injustiças; a perda da inocência em um mundo cada vez mais cruel. Vemos também o medo. Medo não apenas dos bombardeios, mas também do próprio Reich, que podia se voltar contra um cidadão alemão ao menor sinal de traição. Vemos as que o cerne da guerra não é a luta pelo poder, mas sim a dor e o sofrimento. E o pior de tudo: que o ser humano, muitas vezes, acredita que a vida do seu semelhante é dispensável.  

A morte reflete sobre a guerra:

“Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: ‘Apronte logo isso, apronte logo isso.’ E aí a gente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais.” (ZUSAK, 2013, p. 272)

A menina


Liesel é uma menina de nove anos quando tem seu primeiro encontro com a morte. Depois de perder o irmão e ser entregue para adoção por sua mãe, Liesel encontra nas palavras o conforto e o consolo que tanto precisava. Sua relação com os livros não apenas se torna uma válvula de escape ao caos da guerra, mas também influencia e forja os relacionamentos com sua nova família e amigos.

A morte testemunha o deslumbramento da menina em uma sala repleta de livros:

Em quantos livros tinha tocado?
Quantos havia sentido?
Andou até o começo e fez tudo de novo, dessa vez muito mais devagar, com a mão virada para a frente, deixando a palma sentir o pequeno obstáculo de cada livro. Parecia magia, parecia beleza, enquanto as linhas vivas de luz brilhavam de um lustre.” (ZUSAK, 2013, p. 123)

Concluindo


Zusak não apenas teve uma ideia brilhante, mas conseguiu desenvolver a estória com perfeição. É impossível não se identificar com Liesel e seu amor pelos livros, assim como é impossível não se comover com sua estória. Apesar de todos os assuntos pesados que a obra envolve, o autor teve muita sensibilidade para abordá-los, além de contar com a excentricidade da narradora para, curiosamente, deixar tudo mais leve. Certamente, uma estória que merece ser conhecida.

Então, se você ainda não leu A Menina Que Roubava Livros, aproveite as promoções da Semana Black Friday na Amazon. A Intrínseca é a editora da semana e os livros estão com até 80% de desconto. Vale lembrar que comprando por estes links, você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão. 

E para quem já se encantou com a estória de Liesel, então chegou a hora de assinar o Intrínsecos e garantir O Construtor de Pontes em primeira mão. Ao fazer parte do clube, você recebe uma edição em capa dura colecionável; a revista Intrínsecos, para expandir sua experiência de leitura; um marcador de páginas e um brinde exclusivo. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

RESENHA: A Menina Que Roubava Livros

“Como tantas vezes acontece com os seres humanos, ao ler a seu respeito nas palavras da menina que roubava livros, senti pena deles, embora não tanta quanto senti dos que recolhi em vários campos nessa época. Os alemães nos porões eram dignos de pena, sem dúvida, mas ao menos tinham uma chance. Aquele porão não era um banheiro. Eles não tinham sido mandados para lá para tomar banho. Para essas pessoas, a vida ainda era alcançável.” (ZUSAK, 2014, p. 328)

***

Nos idos de 2007, encontrei o livro A Menina Que Roubava Livros na biblioteca da minha escola por acaso e, assim que li a sinopse, retirei o livro. Infelizmente, não consegui encerrar a leitura naquela semana e por conta de uma lista de espera gigantesca tive que devolvê-lo. Desde então tenho protelado a leitura do livro mais aclamado de Markus Zusak. 

Liesel e seu irmão são filhos de comunistas e para proteger as crianças das perseguições de Hitler, elas são enviadas a uma família adotiva, porém, Werner morre ainda no caminho. Após o enterro do irmão, Liesel encontra um livro que o coveiro deixou cair e não hesita em furtá-lo. É assim que tem início a carreira da menina que roubava livros, observada de perto pela Morte. 

Quem diria que a Morte seria uma narradora tão interessante? Com sua visão irreverente e até mesmo filosófica sobre a vida, os seres humanos e o seu próprio trabalho, ela nos conta a trajetória de Liesel, sua convivência com a família adotiva, os amigos da Rua Himmel, as aventuras e traquinagens da infância e, especialmente, os furtos praticados pela menina. 

O cerne da obra diz respeito ao poder das palavras. Por um lado, estamos na Alemanha nazista, onde Hittler, com seus discursos inflamados, acendeu a ira de um povo contra os judeus. Por outro, temos uma menina que encontrou a cura para suas feridas em meio as páginas e assim pôde seguir em frente. 

E como não poderia deixar de ser, A Menina Que Roubava Livros também propõe reflexões a partir da dura realidade vivida durante a Segunda Guerra Mundial. Temas como sobrevivência, luto, esperança, dor, justiça, violência e paz, estão presentes no decorrer de toda a estória, mesmo sem serem diretamente abordados. 

O fator que mais me agradou nos personagens é a sua composição com qualidades e defeitos. Nenhum deles assume o papel de mocinho ou de vilão. São apenas pessoas, vivendo em situações extremamente adversas, e fazendo o possível para manterem-se vivas. A meu ver, os personagens mais interessantes são Hans Hubermann, pai adotivo de Liesel que logo se afeiçoa a menina, e Max Vandenburg, um judeu que, sem outra alternativa, pede ajuda a Hans. 

A narrativa de Zusak chama atenção tanto por sua sonoridade poética, quanto por suas belas e inusitadas metáforas. E para ser completamente honesto, reconheço que fiquei mais encantado com a narrativa do que com a estória em si, embora uma provavelmente não funcionasse sem a outra. 

Considerando que a Morte narra a estória olhando para trás, em alguns momentos ela revela pequenas informações sobre o que irá acontecer no futuro, sendo que algumas destas me pareceram desnecessárias, em uma clara tentativa de aumentar a tensão através do suspense. Mas deixo claro que tal artificio não desmerece em nada a obra. 

A Menina Que Roubava Livros é uma estória simples e inspiradora sobre as dicotomias entre a vida e a morte, a resiliência do ser humano, e sobretudo sobre o poder das palavras. 

Título: A Menina Que Roubava Livros (exemplar cedido pela editora)
Autor: Markus Zusak
N. de páginas: 478
Editora: Intrínseca
 

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