“Além disso, as coisas grandes na vida não se apresentam como tais. Acontecem em momentos normais, comuns — uma ligação, uma carta —, acontecem quando não estamos olhando, sem pistas, sem aviso, e é por isso que nos impressionam. E pode levar uma vida inteira, uma vida com muitos anos, para aceitarmos a incoerência das coisas; que um momento pequeno pode estar lado a lado com um grande, e pode se tornar parte do mesmo.” (JOYCE, 2015, p. 213).
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Desde que li A Improvável Jornada de Harold Fry, tinha ciência de que leria todos os demais livros de Rachel Joyce. E quando a editora Suma de Letras anunciou que iria publicar Operação Perfeito, mal podia esperar para dar início a leitura.
Em 1972, Byron e sua mãe, Diana, se envolvem em um acidente de carro que ocorre em um piscar de olhos. Para surpresa de Byron, sua mãe não percebe o acidente e continua agindo como se nada tivesse acontecido. Assim, Byron, com a ajuda de seu amigo James, decide criar um conjunto de planos para resolver a estranha situação.
O problema de Operação Perfeito consiste em sua lentidão para engrenar. Como os capítulos são alternados entre o passado e o presente, a estória demora para ser desenvolvida. Some-se a isso que, em alguns momentos, a autora abusa de descrições, o que deixou a narrativa com um ritmo ainda mais vagaroso.
Além disso, tive certa dificuldade em me envolver com a estória, e destaco dois motivos: a) desde o início, tinha fortes suspeitas de qual seria a grande revelação do livro, então, o suspense não funcionou; b) os personagens, apesar de bem construídos, não me cativaram.
Para minha surpresa, apenas consegui mergulhar na estória nas últimas setenta páginas. E a estória que Rachel Joyce criou é realmente interessante, mas creio que se tivesse optado por uma estrutura mais linear e tivesse feito menos suspense, o livro teria funcionado melhor.
Fiquei impressionado como a autora consegue demonstrar em pouquíssimas páginas a personalidade dos personagens. Com uma cena ou em um diálogo, Joyce consegue fazer com que o leitor perceba as características inerentes daquele personagem, e faz isso de maneira natural.
Diana foi a única personagem que me irritou. Ela é descrita como alguém que teve um passado nebuloso e que, ao casar com um homem rico, deixou aquela vida para trás. Porém, me incomodava perceber o quanto ela era ingênua, o quanto era passiva diante dos outros.
O cerne da estória consiste em mostrar como poucos instantes podem mudar uma vida inteira, como toda ação tem uma reação, e é neste aspecto que Joyce consegue demonstrar seu talento e sensibilidade. A meu ver, o ponto alto da obra foi constatar como a autora "brincou" com as consequências de um pequeno fato na vida de todos os personagens.
Mais uma vez Joyce foca sua escrita no cotidiano, nos conflitos pessoais e familiares, em pessoas imperfeitas e no processo de cura, e por isso mesmo a obra exala verossimilhança. Embora Operação Perfeito não tenha me agradado em todos os aspectos, é impossível ler e não refletir sobre a vida, o tempo e a busca pela perfeição.
Autora: Rachel Joyce
N.º de páginas: 301
Editora: Suma de Letras




