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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

RESENHA: Jonathan Strange & Mr. Norrell

“— Vários magos — disse, gesticulando — tentaram concentrar poderes mágicos em um objeto físico. Não é uma operação difícil e o objeto pode ser qualquer coisa que o mago queira. [...]. Examinemos o caso dos anéis. Há muito consideram-se os anéis particularmente adequados a esse tipo de magia, em virtude de seu tamanho pequeno. [...] Entretanto, é raro encontrar um só mago na história que, tendo depositado parte de suas habilidade e poderes em um anel mágico, não tenha de alguma forma perdido o adorno e se metido num mundo de dificuldades para reavê-lo.” (CLARKE, 2005, p. 254).

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Todo fã de Friends deve lembrar da icônica cena do Ross cantando “I like big butts and I can not lie” para a Emma (caso não lembre, clique aqui). De minha parte, preciso admitir: “I like big books and I can not lie”. Não sei exatamente por que, mas livros grandes exercem uma atração quase sobrenatural sobre este que vos fala. E um livro com mais de oitocentas páginas, que ainda por cima é comparado a Jane Austen e J. R. R. Tolkien, é um livro que eu PRECISAVA ler.

Há muito tempo acreditava-se que a prática da magia estava extinta na Inglaterra, quando surge Mr. Norrel realizando feitos impressionantes. Tudo muda quando seu discípulo, Jonathan Strange, começa a ter opiniões contrárias a de seu mestre, ocasião em que os magos tomam caminhos distintos.

Apesar da influência dos autores citados estar presente na narrativa de Susanna Clarke, a comparação me pareceu exagerada. Austen dá vida as palavras, usando-as de uma forma cheia de significado, Tolkien, por sua vez, cria aventuras repletas de ação e perigos, transportando o leitor para seus cenários. Ambos os autores também se destacam na construção de personagens críveis e cativantes. A meu ver, afirmo que não observei nenhuma destas qualidades na obra de Clarke, que apresentou dois grandes problemas.

O primeiro foram os protagonistas, que não geraram muita empatia. Mr. Norrel é excêntrico, enfadonho e arrogante, enquanto Jonathan Strange, apesar de ser mais interessante que o outro, é um tanto insosso e sem graça. A meu ver, personagens secundários se mostraram muito mais atraentes que a dupla de magos.

Além disso, creio que qualquer autor que se disponha a escrever um livro grande deve ter em mente que é necessário manter a atenção do leitor presa do início ao fim, todavia, a leitura se mostrou arrastada e entediante a maior parte do tempo. A estrutura linear da estória, sem reviravoltas, e seu ritmo vagaroso davam a impressão que nada estava acontecendo.  

O final apresenta uma melhora significativa e a estória parece ganhar um novo fôlego, sendo que até mesmo a narrativa começa a fluir mais naturalmente. Mesmo assim, o desfecho não impressiona e ainda deixa pontas soltas, não respondendo a muitas das minhas perguntas.  

A estória de Strange e Norrell é interessante? Sem dúvidas, porém, sua pretensa grandiosidade se tornou seu calcanhar de Aquiles. Já ouviu falar que, às vezes, menos é mais? Esse era o caso. Por isso, imagino que a série inspirada na obra e produzida pela BBC, com previsão de estréia para esse ano, possa fazer jus a estória.

Título: Jonathan Strange & Mr. Norrell (exemplar cedido pela editora)
Autora: Susanna Clarke
N.º de páginas: 817
Editora: Companhia de Letras
 

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